Um vídeo feito por moradores de favelas do Rio de Janeiro com dicas para agir em caso de abordagem imprópria das policias tornou-se viral após o Governo brasileiro decretar uma intervenção na área de segurança pública daquele Estado. Um vídeo que coincide com a decisão de Michel Temer, que passou o comando das polícias para um general do Exército, num momento de grandes episódios de violência na cidade carioca. A medida é para vigorar até 31 de dezembro.

Chamado "Intervenção no Rio: Como sobreviver a uma abordagem indevida", o vídeo foi feito por três jovens, o publicitário Spartakus Santiago, o repórter Edu Carvalho e o youtuber AD Junior, que moram em comunidades pobres da capital 'carioca'.

Eles explicam que, por serem negros, são mais vulneráveis às ações indevidas e à violência da polícia e decidiram alertar a população das favelas com o mesmo problema.

Estamos aqui a fazer este vídeo porque, infelizmente, nós negros somos sempre vítimas de abusos e retaliações", diz Edu Carvalho no vídeo.

Entre as dicas mais polémicas estão conselhos para evitar o uso de guarda-chuvas longos ou até mesmo de berbequins dentro das favelas porque estes objetos podem ser confundidos com armas.

Este conselho alude um facto ocorrido em 2010, quando um homem morreu alvejado por tiros disparados por engano no Morro do Andaraí após um polícia do Batalhão de Operações Especiais (Bope) confundir o berbequim que ele usava para fazer uma reparação em casa com uma arma de fogo.

Os jovens também recomendam aos moradores das favelas que saiam sempre com um documento de identidade e informem familiares ou conhecidos das suas atividades e do seu paradeiro.

Os autores do vídeo frisaram que é necessário que os moradores das comunidades pobres do Rio e Janeiro estejam sempre com o telemóvel carregado porque isto permite não só a comunicação em caso de emergência, mas também o registo qualquer tipo de abuso.

Se eles vos pararem e estiver num zona pública, grave com seu telemóvel. É o melhor registo que se pode fazer", afirma Edu Carvalho.

O vídeo tornou-se tão viral que só na rede social o Facebook foi visto mais de 1,9 milhões de vezes e compartilhado por mais de 56 mil pessoas.

Aos meios de comunicação do país, os autores das várias mensagens disseram que a ideia não era criticar a intervenção do Governo, que colocou o comando da segurança nas mãos dos militares, mas sim alertar as pessoas, principalmente os jovens negros que vivem nas favelas.