O Ministério Público (MP) venezuelano acusou, esta quarta-feira, a ex-deputada da oposição Maria Corina Machado Parisca de estar envolvida numa conspiração para assassinar o Presidente Nicolás Maduro e perturbar a paz do país.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira, o MP explica que a acusação teve lugar durante uma audiência realizada em Caracas e que a legislação atual prevê que «quem, dentro ou fora do território nacional, conspire para destruir a forma política republicana da nação será castigado com presídio de 8 a 16 anos».

A nota sublinha ainda que a legislação determina que incorre no mesmo deito quem «solicitar a intervenção estrangeira nos assuntos da política interna da Venezuela ou pedir o seu concurso [apoio] para transtornar a paz da República, ou que, perante os seus funcionários ou por publicações feitas na imprensa estrangeira, incite a uma guerra civil, difame o Presidente da República, ultraje o representante diplomático e os funcionários consulares da Venezuela» em funções noutros países.

De acordo com o MP, pelo mesmo delito atribuído à antiga deputada têm ordem de detenção o ex-candidato presidencial Henrique Salas Römer e o líder opositor e diplomata Diego Arria Salicetti. Também o advogado Gustavo Tarre Briceño e os cidadãos Robert Alonso Bustillos, Ricardo Emilio Koesling Nava e Pedro Mario Burelli Briceño.

Em junho de 2013, um tribunal venezuelano proibiu a ex-deputada Maria Corina Machado de sair do país, depois de ter prestado, como testemunha e durante oito horas, declarações sobre os acontecimentos violentos de 12 de fevereiro, na sequência do qual três pessoas foram assassinadas no final de uma manifestação em Caracas e detido o fundador do partido Vontade Popular, Leopoldo López, também da oposição.

Maria Corina Machado foi afastada do cargo de deputada a 26 de março, pelo presidente do parlamento, Diosdado Cabello, depois de se ter deslocado à Organização de Estados Americanos a convite do Panamá, para expor várias queixas contra o Governo venezuelano.

A 31 de março, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela determinou que, «ao aceitar uma representação de outro país», sem autorização do parlamento, a antiga deputada «perdeu de pleno direito o seu lugar parlamentar».

A 28 de maio, o «alto comando político» da revolução bolivariana acusou vários dirigentes da oposição de, com o apoio de um banqueiro, estarem a promover um golpe de Estado e um atentado contra o Presidente, Nicolás Maduro.