Todos os dias da última semana acrescentaram novos capítulos de tensão na Venezuela. Os últimos foram este fim de semana. Primeiro, no sábado com o cerco ao Ministério Público seguido da primeira decisão da Assembleia Constituinte de Maduro: demitir a procuradora geral, uma das principais vozes anti-regime. No domingo, houve uma tentativa de golpe de estado numa base militar, na cidade de Valencia.

O regime, através do seu número dois, Diosdadi Cabello, rapidamente classificou este ato como "terrorista". O mesmo adjetivo foi usado pelo presidente, Nicolás Maduro. 

O vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e "número dois" do regime, Diosdado Cabello, disse este domingo que houve um ataque "terrorista" numa base militar de Paramacay, na cidade de Valencia. O exército conseguiu esmagar a tentativa de golpe de Estado. 

O braço-direito do presidente Nicólas Maduro relata, na rede social Twitter, que "as tropas agiram rapidamente para controlar a situação na base de Paramacay", situada no estado Carabobo, no centro-norte da Venezuela.

Que ninguém pare o ritmo. Chegou um tempo novo, o tempo da Constituinte. Não serão uns terroristas que vêm de Miami e da Colômbia, uns mercenáriosm, que vão parar o ritmo desta pátria, desta revolução. Unidos, todos digamos com amor, este tempo novo"

Esta reação surgiu, assim, depois de pelo menos 20 militares terem tomado o controlo de parte da Base de Paramacay. A liderá-los, estava um capitão da Guarda Nacional da Venezuela chamado Juan Caguaripano.

Testemunhas, citadas pela agência Reuters, dizem ter ouvido tiros no local e vídeos amadores mostram a deslocação de carros de combate.

O grupo revoltoso publicou um vídeo em que diz estar a lançar uma revolta contra o presidente Nicólas Maduro. O líder do grupo exige a convocação de eleições antecipadas e a formação de um governo de transição. Para estes militares, a rebelião é legítima e visa restaurar a ordem constitucional.

Protestos, portugueses e regressos inesperados

Depois, a oposição venezuelana condenou já este domingo a destituição, no sábado, da procuradora-geral, Luísa Ortega Díaz, pela nova Assembleia Constituinte e anunciou que vai continuar com os protestos de rua.

Houve confrontos entre manifestantes da oposição e polícia durante o fim de semana, que causaram pelo menos 16 feridos, na sequência da tomada de posse da Assembleia Constituinte. Uma portuguesa ficou ferida quando tentou travar um veículo policial.

Outro desenvolvimento tem que vem com um dos líderes da oposição, Leopoldo López, que regressou no sábado à noite a casa, onde vai continuar em prisão domiciliária. Voltou para casa inesperadamente, depois de ter permanecido quatro dias na prisão militar de Ramo Verde, anunciou a mulher.

O líder do partido Vontade Popular (centro-esquerda) foi tirado à força de casa pelos serviços secretos venezuelanos, no dia 1 de agosto, e levado para a prisão militar de Ramo Verde, a sul de Caracas.

As eleições de 30 de julho foram marcadas por episódios de violência, mortes e alegada fraude eleitoral. A tensão política e social já vinha escalando no país, mas na última semana com mais consequências sociais, políticas e militares.

Oposição exige explicações sobre ataque a base militar

A aliança opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) exigiu, no domingo à noite, explicações ao presidente da Venezuela sobre o ataque a uma base militar e instou Nicolas Maduro a respeitar a Constituição para garantir a paz.

É nosso dever, como representação política da imensa maioria do país, insistir na exigência de uma explicação dos factos", disse a MUD, numa conferência de imprensa em Caracas, durante a qual foi lido um comunicado das forças opositoras.

De acordo com o comunicado, a "unidade democrática exige o retorno da ordem constitucional para garantir a paz do país e evitar um maior derramamento de sangue".