O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou esta sexta-feira que o seu Governo tomará «medidas severas» contra as linhas aéreas estrangeiras que deixem de operar no país ou reduzam o número de voos para a Venezuela.

«Não têm nenhuma desculpa as linhas áreas para reduzir os voos para a Venezuela», disse Nicolás Maduro à imprensa.

«Contra a linha aérea que reduza os voos tomarei medidas severas. Linha aérea que deixe o país, não voltará [a operar na Venezuela] enquanto formos Governo. [Para voltarem], terão de derrotar-nos», prometeu.

O anúncio de Nicolás Maduro foi feito durante uma conferência de imprensa, hoje, no palácio presidencial de Miraflores.

«Eu digo aos donos das linhas aéreas internacionais que, quem se for do país nesta conjuntura, não voltará até novo aviso. Contra quem reduzir voos para a Venezuela tomarei medidas severas, porque faz parte dessa guerra que nos querem fazer. Teremos forças para substituir [essas companhias aéreas]. Para isso temos a nova Conviasa», frisou.

As afirmações do presidente venezuelano verificaram-se depois de a imprensa ter noticiado que algumas linhas aéreas internacionais estão a usar aeronaves mais pequenas e a reduzir a quantidade de voos para Caracas, na sequência de alegadas dificuldades para o resgate (ou «repatriamento») de receitas correspondentes à venda de bilhetes efetuados em território venezuelano.

Na Venezuela está vigente, desde 2003, um férreo sistema de controlo cambial que impede os cidadãos e as empresas de terem livre acesso a moeda estrangeira no país, sendo necessária autorização da Comissão de Administração de Divisas, para fazer operações em moedas estrangeiras.

Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla internacional) o Governo venezuelano tem congelado o pagamento de 3.700 milhões de dólares, correspondentes a bilhetes aéreos que foram vendidos legalmente no país.

O Presidente venezuelano disse, no mesmo encontro com a imprensa, que não existem dívidas contraídas pelo seu país que não tenham sido pagas.

Além das dificuldades para repatriar capitais, as linhas aéreas queixam-se de que, em 2013, venderam, na Venezuela, bilhetes à taxa oficial de 6,30 bolívares por cada dólar norte-americano, mas que, recentemente, o Governo de Nicolás Maduro ajustou à cotação de 11,70 bolívares, valor que temem ser o de referência a aplicar.