Há mais de vinte anos, Alex Hai fez história ao tornar-se na primeira mulher a dirigir uma gôndola em Veneza, quebrando uma tradição com quase 1000 anos. Agora, Alex volta a dar que falar pois mudou de sexo e tornou-se no primeiro gondoleiro transgénero.

Foi em 1996 que o seu nome entrou na história por ser a primeira mulher a dirigir uma gôndola, um trabalho que até então estava apenas reservado aos homens.

Nunca pretendi nada. A única coisa que eu sempre quis era que me deixassem em paz e que me deixassem viver a minha vida”, assegurou Alex ao El Mundo.

Na altura, recebeu muitos insultos, ameaças e olhares intimidantes. Chegaram a atirar ácido clorídrico e excrementos de cão para a sua gôndola, chamada Pegasus.

Há que ser doente mental para sair à procura de cocó de cão, recolhê-lo, transportá-lo numa gôndola e colocá-lo na minha”, desabafou Alex.

A luta judicial que Alex foi travando ao longo dos anos para continuar a exercer a profissão fez com que deixasse para trás o seu objetivo maior: mudar de sexo.  

Sempre me senti um homem, desde a minha infância”, confessou.

Alex explicou que os conflitos com os gondoleiros lhe foram tirando as forças.

Os gondoleiros de Veneza são muito poderosos, têm dinheiro, os melhores advogados. E eu estava sozinho contra todos”.

Foi no ano passado que Alex foi para Los Angeles, onde se submeteu a uma operação de mudança de sexo.

Em Itália está tudo montado para colocar o maior número de barreiras possíveis a um transgénero e fazer com que ele desista. Nos Estados Unidos é tudo muito rápido”, explicou ao El Mundo.

Antes desprezado pelos colegas, Alex garante que agora que é um homem se sente respeitado e capaz de se "defender aos socos” de quem o atacar. 

Nascido na Alemanha, mas criado nos Estados Unidos, Alex chegou a Veneza em 1996 para fazer roupas para um filme norte-americano, mas acabou por se apaixonar pelas gôndolas de Veneza. 

Agora, aos 55 anos e com 22 de profissão, garante que “o negócio não vai mal”. 

Tenho muitos clientes LGBTI, mas também sou contratado por muitas famílias que desejam mostrar-me o seu apoio e que querem educar os filhos ensinado o respeito para com os outros.”