A neta de Picasso está a vender os quadros do avô. Marina Picasso admite que uma das principais motivações não é o dinheiro, mas sim a vingança.

No livro «Meu Avô, Pablo Picasso», publicado em 2001, Marina acusa Picasso de ser tirano e de não gostar de crianças. Durante a infância, diz que se  sentiu  ignorada pelo familiar que, apesar de possuir uma grande fortuna, a deixou crescer na pobreza.

«Durante muitos anos não consegui olhar para o trabalho do meu avô porque para mim representava muito sofrimento», afirma Marina Picasso.

Nascida em 1950, Marina é filha do primeiro filho de Pablo Picasso com a dançarina de ballet russo, Olga Khoklova.  Agora, aos 64 anos, Marina quer compensar o passado. Quer vender os quadros do famoso pintor e utilizar o dinheiro para a associação de apoio a crianças órfãs e carentes que criou. A Fundação Marina Picasso atua principalmente no Vietname e já recebeu fundos das duas primeiras vendas das obras.
 

«Estou a vender os quadros para dar a mim mesma uma razão para existir», declarou Marina no ano passado, acrescentando que passou a sua infância numa situação de «grande pobreza».

Estima-se que Marina tenha em sua posse cerca de 400 quadros e 7000 esboços. Após a  morte do avó, herdou também a casa de Picasso «La Californie» em Cannes.

A venda de mais sete quadros, para além dos dois no ano passado, foi anunciada na semana passada pelo jornal «The Independent». Marina coloca ainda a hipótese de vender a casa.
 
«Pela primeira vez, estou a fazer algo com o meu avô. Esta é uma maneira de ele fazer parte da minha vida», comentou Marina Picasso.