O Reino Unido tornou-se no segundo maior exportador de armas do mundo, sendo apenas superado pelos Estados Unidos. Segundo os dados governamentais a que o jornal Independent teve acesso, muitas das armas britânicas servem regimes opressivos e conflitos sangrentos no Médio Oriente.

Nos últimos dez anos, os britânicos venderam mais armas do que a Rússia, a China e a França e apenas são ultrapassados pelos Estados Unidos.

Mais, de acordo com os dados governamentais revelados pelo Independent, dois terços das armas vendidas neste período tiveram como destino o Médio Oriente e países com regimes considerados opressivos.

Desde 2010, a Grã-Bretanha forneceu armas para 39 dos 51 países que foram listados como países “não livres” pela Freedom House (Casa da Liberdade, em inglês), uma organização norte-americana que monitoriza as violações dos direitos humanos e da democracia a nível mundial. 

Entre os países que receberam armas britânicas estão a Arábia Saudita e o Bahrein.

No caso da Arábia Saudita, por exemplo, um país sobre o qual pairam suspeitas de crimes de guerra nas operações militares no Iémen, as armas exportadas foram na sua maioria bombas para aviões militares. 

Escolas e hospitais dos Médicos Sem Fronteiras no Iémen não têm escapado aos bombardeamentos sauditas. Organizações dos direitos humanos e vários parlamentares britânicos têm pressionado o governo para proibir a venda de armas para Riade, mas o executivo considera que não há provas de que efetivamente tenham sido cometido crimes de guerra.

Os ministros britânicos, que têm que aprovar todas as licenças de exportação de armas, consideram que o sistema em vigor é robusto e adiantam que já revogaram permissões para exportar equipamento militar no passado, incluindo para países como a Rússia e a Ucrânia.