A atriz de Bollywood Veena Malik foi condenada a 26 anos de prisão pelo Tribunal Superior do Paquistão, por alegadamente ter cometido blasfémia num programa de televisão. Também o marido da atriz, Assad Bashir, a apresentadora de televisão Shaista Wahidi e o dono do maior grupo de comunicação paquistanês Shakil-ur-Rahman, foram condenados.

Na origem da sentença, que foi anunciada esta terça-feira, está um vídeo do casamento da atriz que foi exibido, em maio, num programa do canal Geo TV. Esse excerto do matrimónio foi acompanhado de uma música que fala sobre a filha do profeta Maomé. Na altura, o momento televisivo causou muita polémica e os líderes religiosos do país consideraram que se tratava de um ato de blasfémia.

A lei anti-blasfémia é usada contra as minorias religiosas e até pode estabelecer a pena de morte, embora nunca ninguém tenha sido executado por isso. Foi estabelecida na altura da época colonial britânica para prevenir conflitos religiosos, mas na década de 80, uma série de reformas instauradas pelo ditador Muhammad Zial ul Haq favoreceram o abuso da norma. Em 2011, o governador da província de Punyab, Salman Tassee, e o ministro cristão de Minorias, Shahbaz Bhatti, foram assassinados por se oporem à legislação em vigor e exigirem uma reforma.

Esta não é a primeira vez que Malik gera polémica. Em 2011, foi capa da versão indiana da revista «FHM», onde aparecia sem roupas e com uma tatuagem com as letras ISI, a sigla do departamento de inteligência do país.

Por sua vez, o grupo de comunicação «Geo» também passou por dificuldades após responsabilizar o ISI por um ataque contra um jornalista da emissora em abril. Depois da acusação, o órgão regulador do audiovisual suspendeu as transmissões do canal por duas semanas.