O papa Francisco denunciou esta quarta-feira, na audiência geral no Vaticano, as sociedades atuais que «não deixam nascer» as crianças, numa condenação implícita do aborto e do controlo de natalidade.

«As crianças são um dom para a humanidade, mas são também as grandes excluídas, por vezes nem as deixam nascer», afirmou, no início de uma catequese dedicada à família.


Numa menção às suas viagens à Ásia, nomeadamente às Filipinas em janeiro, Francisco denunciou também a situação das crianças que sobrevivem «em condições indignas».

«Da maneira como são tratadas as crianças, podemos analisar uma sociedade, não apenas moralmente, mas também sociologicamente», declarou.


Com este critério, «é possível analisar se uma sociedade é livre ou escrava de interesses internacionais», afirmou o papa, perante 16 mil fiéis reunidos na praça de São Pedro, numa aparente referência aos interesses de grandes sociedades privadas ocidentais alegadamente na origem de campanhas de controlo da natalidade e aborto nos países em desenvolvimento.

O papa elogiou a franqueza das crianças: « As crianças (...) ainda não aprenderam a ciência da falsidade que nós, adultos, conhecemos. Eles podem ensinar-nos a chorar, a rir, a deixar sorrisos artificiais".

Mesmo se as crianças «trazem vida, alegria e esperança», podem «causar, às vezes, problemas imensos e muitas preocupações», reconheceu.

«Mas mais vale uma sociedade com estes problemas, que uma sociedade cinzenta e triste», acrescentou, referindo-se às sociedades ocidentais onde o número de crianças por mulher é cada vez mais baixo.