O ministro brasileiro da saúde anunciou, nesta quinta-feira, que a vacina para o vírus Zika poderá estar disponível dentro de um ano.

Marcelo Castro adiantou, ainda, em conferência de imprensa, que foi estabelecida uma parceria com a Universidade do Texas, dos Estados Unidos, para desenvolver esta vacina nos próximos cinco anos, que implica um investimento de 1.9 milhões de dólares.

O Ministério da Saúde revelou também hoje que a morte de três adultos no ano passado podem estar relacionadas com complicações resultantes do vírus Zika, confirmando assim a notícia avançada pelos jornais de São Paulo Estadão e Folha.

A confirmação surgiu depois de ter sido encontrado o vírus no corpo de uma jovem de 20 anos, que morreu em abril de 2015, vítima de complicações respiratórias. O vírus tinha sido previamente detetado em dois adultos que morreram em junho e outubro, também com complicações suspeitas.

Os investigadores e os institutos renomados comprometeram-se a colocar gratuitamente as suas futuras descobertas sobre o vírus Zika, uma prática não habitual no meio científico, justificada pela urgência em saber mais sobre o vírus e travar a epidemia.

Numa declaração comum, as revistas Nature, Science e The Lancet, a Academia de Ciências Chinesa, o Instituto Pasteur de França, a Fundação Bill e Melinda Gates, assim como a Agência Japonesa de Investigação Médica estimaram que os dados sobre este vírus são “uma ferramenta viral na luta contra essa emergência de saúde”.

“Os signatários colocarão em livre acesso todos os conteúdos sobre o vírus Zika”, segundo essa declaração.

Na maioria dos casos, o vírus Zika provoca uma doença benigna e, por vezes, assintomática. Provoca alguns sintomas leves parecidos com a gripe (febre, dor de cabeça, dores no corpo).

No entanto, quando o vírus afeta mulheres grávidas, poderá provocar graves malformações congénitas dos fetos, em particular a microcefalia, doença que leva ao desenvolvimento anormalmente pequeno do tamanho da cabeça dos bebés, nefasto para o desenvolvimento intelectual e físico das crianças.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que a explosão de casos de malformações congénitas constitui “uma urgência de saúde pública a nível mundial”.

Os investigadores assinaram a declaração conjunta enfatizando que compartilharão os dados preliminares dos seus estudos, assim como os seus dados finais "tão rapidamente e tão amplamente quanto possível".

Normalmente, a publicação de dados científicos ou os resultados de um estudo é realizada ao fim de um longo processo e os resultados não são compartilhados antes da sua publicação numa revista científica.

“No contexto de uma emergência de saúde, é imperativo disponibilizar qualquer informação que possa contribuir para a luta contra a crise", declararam os signatários, entre os quais estão incluídos ainda os Médicos Sem Fronteiras, a revista The New England Journal of Medicine, a revista científica PLOS, o Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul.

Os especialistas concordam que há mais incógnitas do que informações cientificamente comprovadas que envolvem o vírus Zika, que assola a América Latina, particularmente o Brasil, com cerca de 1,5 milhões de casos, e a Colômbia.

Os investigadores esforçam-se, em particular, em determinar a ligação entre o Zika e a microcefalia e procuram saber em que proporções o vírus afeta o feto.

No momento, não existe vacina ou tratamento contra o Zika.