A ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, enfrenta um escândalo de plágio que pode acabar com a sua integridade e credibilidade e, assim, pôr fim a uma carreira política recheada de êxito. Martin Haidingsfelder, criador do site Vroniplag e uma espécie de caçador de plágios, acusa-a de ter cometido “sérias irregularidades” na sua tese de doutoramento.
 
Desde há duas semanas, quando surgiram as primeiras acusações, que a Universidade de Hanover, onde Ursula von der Leyen obteve o grau de Doutora em 1991, se encontra sob apertada investigação.
 
Ursula von der Leyen tem sido apontada como a principal candidata a substituir Angela Merkel, mas este escândalo pode acabar com as suas aspirações. Sobretudo depois de, no último domingo, o jornal Welt am Sonntag ter noticiado que a ministra mentiu ao mencionar no seu currículo publicado no site oficial do Governo duas passagens pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
 
O jornal alemão cia um porta-voz daquela instituição norte-americana para garantir que “ela nunca esteve matriculada em nenhum programa oficial da universidade que lhe permitisse obter um certificado ou um diploma”.
 

“Se uma pessoa admite, no seu currículo possuir um certificado da Universidade, está a abusar do bom nome de Stanford”, acrescentou o porta-voz.


A agora ministra acompanhou o marido, em 1992, numa estadia de quatro anos na Califórnia. De acordo com o currículo da ministra, ela participou como “aluna convidada” da Faculdade de Negócios de Stanford e no curso de Administração de Serviços de Saúde do Hospital de Stanford. Só que a Universidade garante que não tem qualquer documento que situe Ursula von der Leyen como aluna da instituição.
 

“Não está em jogo apenas o seu passado académico. Está em jogo a sua credibilidade como mulher, que não esconde as suas aspirações em suceder a Angela Merkel como chanceler”, escreve o jornal Welt am Sonntag.

 
Os escândalos de irregularidades académicas já fizeram cair em 2013 a então ministra da Educação. Annette Schavan negou na altura que tivesse plagiado partes da sua tese de doutoramento e avançou mesmo para os tribunais, mas o certo é que o grau académico acabou por lhe ser retirado, 30 anos depois de o obter, e a ministra acabou por se demitir.
 
“Quando um ministro da Educação enfrenta uma universidade, isso cria grandes tensões para o meu posto, para o ministério, para o governo e para a CDU. Eu quero evitar isso a todo o custo e este posto não pode ser perturbado”, disse Schavan, que ocupava também a pasta da Pesquisa.
 
À semelhança do que agora acontece com Ursula von der Leyen, também Annette Schavan era muito próxima de Angela Merkel.
 
Em 2011, também o então ministro da defesa alemão, Karl-Theodor zu Guttenberg, se demitiu, na sequência de acusações de plágio na sua tese de doutoramento, depois de ter visto a Universidade de Bayreuth a retirar-lhe o grau de doutor em Direito.
 
"É o passo mais doloroso da minha vida, mas quem se decide pela carreira política não pode esperar compaixão", afirmou Guttenberg ao deixar o Governo.