De um lado três estudantes brilhantes de uma instituição de topo dos Estados Unidos, a Universidade de Harvard. Do outro lado, três reclusos a cumprirem pena por crimes tão violentos como homicídio, numa prisão de segurança máxima de Nova Iorque. Disputavam o Campeonato nacional de Debates. Alunos de Harvard eram detentores do título de campeões.

Ganharam os improváveis, apesar de terem defendido, no palco, uma ideia da qual discordavam. Carl Snyder, Dyjuan Tatro e Carlos Polanco defenderam que as escolas públicas norte-americanas deviam ser autorizadas a recusar a admissão de crianças filhas de emigrantes ilegais nos Estados Unidos.

Após a vitória ovacionada pelos presentes no evento, os reclusos fizerem questão de esclarecer, logo de imediato, que discordavam em absoluto da proposta que tinham defendido, escreve o jornal The Telegraph.

Os reclusos, a quem não foi permitida a utilização da Internet para se preparem para o debate, impressionaram os juízes com os argumentos usados como, por exemplo, os alunos recusados pelas escolas públicas poderiam, depois, ser acompanhados por organizações não-governamentais ou, até, escolas privadas, o que lhes garantiria uma melhor educação que no ensino público.

A equipa de debates de Harvard, acabou mesmo por divulgar um post, na sua página de Facebook, com a divulgação do resultado final. Consideram que "foi um privilégio" competir com a outra equipa.

 
 

This weekend, three members of the HCDU had the privilege of competing against members of the Bard Prison Initiative's...

Posted by Harvard College Debating Union on  Domingo, 20 de Setembro de 2015


No dia do debate, que aconteceu a 18 de setembro, Anais Carell, aluna de Harvard assumiu ao Wall Street Journal “que tinham sido apanhados desprevenidos” pela outra equipa.

A equipa de reclusos faz parte do programa Bard College - nascido em 2001 - que visa dar uma oportunidade aos detidos para poderem ter uma vida melhor. Criada há dois anos, a equipa da prisão nova iorquina Eastern Correctional Facility, já venceu outros adversários como a Academia Militar de West Point ou a Universidade de Vermont.

Max Kenner, diretor executivo do programa Bard College, garante ao The Telegraph que aos reclusos participantes “são exigidos os mesmo padrões que aos alunos das universidades”.

Carlos Polanco, de 31 anos de idade, cumpre pena por homicídio involuntário e afirmou que a equipa foi “agraciada com uma oportunidade” de participar no programa.
 

“Eles fazem com que acreditemos em nós”


Já Alex Hall, também com 31 anos, e também a cumprir pena por homicídio, afirmou ao Wall Street Journal:
 

"Podemos não ser tão naturalmente dotados, do ponto de vista retórico, mas trabalhamos muito nisto”