Mais de quatro milhões de crianças e jovens em todo o mundo recorreram, nos últimos dez anos, a linhas de apoio para denunciar abusos e violência, anunciaram esta quarta-feira a Unicef e a organização Child Helpline International (CHI).

Os dados constam do relatório «Vozes de Crianças e Jovens», cujos resultados foram divulgados esta quarta-feira num comunicado conjunto do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da rede internacional de linhas telefónicas de apoio a crianças (CHI), com 173 membros, de 142 países, incluindo Portugal (SOS Criança).

Segundo o relatório, um em cada seis contactos para as linhas de apoio da rede foi feito por crianças e jovens que denunciaram situações de abuso e violência (física, emocional e sexual).

Os casos de abuso e violência são relatados maioritariamente (60 por cento) por raparigas, sendo que grande parte (58 por cento) dos abusos descritos são atribuídos a membros da família.

O mesmo documento aponta para mais de um milhão de contactos efetuados por menores com pedidos de ajuda para lidar com problemas na escola, sendo que mais de um quarto deles estava relacionado com «bullying» (violência física e psicológica repetida e intencional).

Quase metade (46 por cento) dos contactos foram realizados na Europa e a maioria das crianças e dos jovens que recorreram às linhas de apoio tinha entre 10 e 18 anos, tendo usado preferencialmente o telefone. Contudo, o correio eletrónico, as mensagens de telemóvel e os «chats» também são utilizados pelos menores para denunciar maus-tratos.

De acordo com o relatório, o número de contactos aumentou, em média, nos últimos dez anos, cinco pontos percentuais por ano, segundo síntese da Lusa.