Omar DaqneeshAlan Kurdi são dois nomes que o mundo ouviu, com os quais se comoveu, mas que provavelmente já não se recorda de quem são.

Não são reforços futebolísticos, nem cantores na moda, mas apenas dois meninos sírios que foram a face visível da tragédia dos refugiados. Alan deu à costa, morto, numa praia da Turquia, há um ano; Omar apareceu há semanas, sentado, inerte, após mais um bombardeamento na cidade de Alepo.

Hoje, por cada 45 crianças no mundo, uma delas está deslocada, chame-se-lhe assim, ou refugiada, ou migrante.

Vítimas das guerras, da fome, da violência, há assim, pelo menos, 50 milhões de crianças desenraizadas no mundo. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) contabiliza, no final de 2015, 31 milhões de crianças expatriadas e 17 milhões deslocadas em seus próprios países.

As imagens indeléveis das crianças vítimas - o pequeno corpo de Alan Kurdi encontrado numa praia afogado ou o olhar perdido no rosto ensanguentado de Omran Daqneesh, sentado numa ambulância após a destruição de sua casa - sacudiram o mundo inteiro", salienta Anthony Lake, diretor-geral da UNICEF.

Cada foto, cada menina ou menino simbolizam milhões de crianças em perigo e necessitamos que a compaixão que sentimos pelas vítimas que podemos ver se traduza em uma ação a favor de todas as crianças", acrescenta o responsável.

Para a organização, os números que aumentam nos dias de hoje são mais um motivo para justificar o lema da sua campanha, o qual lembra que "apoiar as crianças refugiadas e migrantes é responsabilidade de todos".

Crianças refugiadas duplicaram

Hoje, o número de crianças desenraizadas no mundo é o dobro do que havia há uma década. E são mais 77% das que estavam assim há apenas cinco anos.

Em 2015, quase metade, 45%, das crianças refugiadas sob a proteção das Nações Unidas eram originárias de Síria e do Afeganistão..

Do total de 50 milhões de crianças deslocadas, a UNICEF indica que 28 milhões foram expulsas de suas casas por conflitos e têm uma necessidade urgente de ajuda humanitária e de acesso aos serviços essenciais.

Outros 20 milhões de crianças deixaram as suas casas devido à extrema pobreza ou quando a isso foram forçadas pela violência de grupos criminosos. E nem sempre, nos locais de refúgio, os problemas ficam para trás.

Muitos correm o risco de serem maltratados ou detidos, devido à falta de documentos ou de um estatuto jurídico preciso", destaca a UNICEF.

Diante deste panorama, a UNICEF apela às autoridades mundiais para acabarem com a detenção de crianças migrantes e a não as separar das suas famílias. Permitindo o seu acesso aos serviços de saúde e a promovendo a luta contra a xenofobia e a discriminação.