Cerca de 95% da população urbana da União Europeia está exposta a níveis de poluição do ar acima dos recomendados pela Organização Mundial da Saúde, segundo um relatório das Nações Unidas apresentado esta terça-feira em Lisboa.

Peritos do Programa da ONU para o Ambiente (UNEP, na sigla inglesa) estiveram hoje de manhã em Lisboa para apresentar e debater o relatório da 6.ª Avaliação “Global Environmental Outlook GEO – 6”, avaliações que se realizam periodicamente desde 1995 e produzem análises do estado do ambiente abrangentes.

Diana Mangalagiu, uma das responsáveis pela avaliação, destacou que a poluição do ar se assume como um dos maiores riscos à saúde na região pan-europeia, que foi visada por este relatório.

Cerca de 95% da população urbana na União Europeia está exposta a níveis de poluição acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde e 87% estão expostos a partículas inaláveis que excedem as recomendações (as partículas inaláveis constituem um dos poluentes atmosféricos mais graves em termos de saúde pública).

Cerca de 600 mil mortes prematuras são provocadas na região devido à poluição: 500 mil pela poluição do ar exterior e cerca de 100 mil ficam a dever-se à qualidade do ar interior.

Para Diana Mangalagiu estes dados mostram que a poluição do ar contribui para que os orçamentos de estado na área da saúde estejam sobrecarregados.

Aliás, os peritos estimam que os custos com os problemas de saúde ligados à falta de qualidade do ar possam atingir os 940 mil milhões de euros, por ano, só na União Europeia.

Outro dos destaques da avaliação aponta para a duplicação da produção de químicos na última década, havendo ainda expetativa de que o crescimento continue.

Também é evidente o aumento de produção de resíduos elétricos e eletrónicos: de nove milhões de toneladas em 2005, estima-se que em 2020 a União Europeia passe a produzir 12 milhões de toneladas.

Segundo a avaliação das Nações Unidas, a perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas continua na região pan-europeia, sendo causada principalmente intensificação agrícola, urbanização e alterações na utilização do uso dos solos.

O declínio da biodiversidade é particularmente elevado na Europa Ocidental e Oriental, com taxas mais baixas na Europa Central, na Rússia e nos países da Ásia Central.

Todos os dias, os países da União Europeia perdem 275 hectares de terras agrícolas para a impermeabilização do solo e para a ocupação de terras.