Um relatório de uma comissão parlamentar britânica, divulgado esta sexta-feira, critica o «sonambulismo» da União Europeia (UE) e de Londres na gestão da crise ucraniana, considerando terem sido cometido erros «catastróficos».

As críticas da comissão de assuntos europeus da Câmara dos Lordes surgem numa altura em que o frágil cessar-fogo acordado entre as forças de Kiev e os rebeldes pró-russos do leste da Ucrânia se vê ameaçado por uma série de violações.

A comissão parlamentar «considera que a UE, e como consequência o Reino Unido, entraram como sonâmbulos nesta crise», declarou Christopher Tugendhat, que preside ao núcleo.

«A falta de uma capacidade analítica robusta, tanto no Reino Unido como no conjunto da UE, conduziram a um catastrófico erro de interpretação da atmosfera no período precedente à crise», realçou.

Segundo o relatório, a relação entre a UE e Moscovo baseia-se, há muito tempo, numa «premissa otimista», segundo a qual a Rússia se encontra no caminho para se tornar mais democrática.

O declínio ao nível do conhecimento sobre assuntos relacionados com a Rússia no seio do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico e dos seus homólogos europeus constitui um obstáculo à formulação de uma «resposta autoritária», diz o relatório.

«O Governo não esteve ativo ou visível nesta questão como poderia ter estado», critica a comissão parlamentar no documento citado pela agência AFP.

Este relatório figura como o mais recente golpe para o governo de David Cameron sobre a crise ucraniana, depois de a política externa do primeiro-ministro britânico ter sido considerada «irrelevante» pelo general Richard Shirreff, antigo comandante britânico da NATO.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros rejeitou as críticas.

«O Reino Unido tem desempenhado um papel de liderança apoiando o direito da Ucrânia em decidir o seu próprio futuro, ao assegurar que a UE impõe duras sanções à Rússia por procurar ditar essas escolhas», declarou uma porta-voz.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do britânico, Philip Hammond, defendeu esta quarta-feira, em Lisboa, que a União Europeia deve considerar o prolongamento até ao final do ano das sanções impostas à Rússia caso o cessar-fogo na Ucrânia seja abandonado.