A Comissão Europeia pediu na terça-feira à Itália para recolher as impressões digitais de todos os migrantes que chegam ao país, devendo usar a força se for necessário.

A Itália precisa de desenvolver “um quadro legal mais sólido” para permitir o “uso da força para recolher as impressões digitais" do imigrantes "que resistem à recolha", defende a Comissão Europeia, num comunicado.

“O objetivo de 100% [de recolha] de impressões digitais à chegada dos migrantes tem de ser atingido sem demora”, acrescenta.

O ministro do Interior italiano, Angelino Alfano, respondeu, na terça-feira, que o sistema legal italiano já permite o uso da força em tais situações, mas deputados do país manifestaram preocupação em relação ao pedido.

"O facto de a UE legitimar o uso da força contra migrantes vai contra as convenções sobre direitos humanos [e] é bastante preocupante", disse o deputado Mario Marazziti, presidente da comissão de assuntos sociais italiana.

A Comissão Europeia iniciou esta semana procedimentos legais contra a Croácia, Grécia e Itália por não registarem todos os migrantes na base de dados Eurodac quando entram pela primeira vez no continente europeu.

A UE está a debater soluções para a chegada de cerca de um milhão de migrantes à Europa este ano, a maioria deles refugiados sírios provenientes da Turquia.

A agência de refugiados das Nações Unidas informou em meados de novembro que 142.400 pessoas desembarcaram em Itália depois de terem feito uma perigosa viagem marítima através do Mediterrâneo este ano.

Uma cimeira europeia na quinta-feira vai discutir o controverso plano revelado esta semana para uma nova força de guardas costeiros que poderia intervir nos estados membros sem o seu consentimento.