Os líderes dos países do sul da União Europeia pediram esta sexta-feira em Atenas unidade e coesão na Europa para lidar com os muitos desafios que o continente enfrenta, sublinhando que a sua reunião não pretendeu criar novas frentes.

“Nestes tempos difíceis, quando os nacionalismos e os populismos esperam que após o ‘Brexit’ a Europa se desmembre, devemos transmitir uma mensagem de unidade e de coesão”, disse o Presidente francês, François Hollande, no final da cimeira que juntou Portugal, Grécia, França, Itália, Espanha, Malta e Chipre.

O primeiro-ministro grego, anfitrião do encontro, Alexis Tsipras, frisou que, com as suas propostas, os dirigentes do sul da Europa querem fortalecer a unidade da União Europeia e não tornar-se um fator de divisão.

“Unem-nos a crise económica, a de refugiados e a social, mas também um património cultural, uma tradição histórica e raízes comuns”, sustentou Tsipras, acrescentando que o diálogo hoje entabulado pretende sobretudo alcançar “uma Europa melhor, nem mais, nem menos”.

Os líderes aprovaram uma declaração conjunta e decidiram que o próximo encontro com estas características se realizará em Portugal.

Na declaração, os líderes europeus insistiram na necessidade de melhorar a unidade da UE e, para tal, propuseram uma série de iniciativas para aumentar a segurança interna e das fronteiras exteriores, enfrentar o desafio da migração, reforçar a cooperação com os países africanos, impulsionar o crescimento e o investimento na Europa e melhorar os programas destinados à juventude.

Os dirigentes sul-europeus apoiaram a proposta da Comissão Europeia de duplicar o denominado “Plano Juncker” de investimentos, para que, como disse o primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat, esse programa “tenha um êxito ainda maior”.

O Plano de Investimentos para a Europa, também conhecido como “Plano Juncker”, propõe-se captar pelo menos 315 mil milhões de euros em investimentos públicos e privados ao longo de três anos.

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, vincou que a Europa não pode limitar-se a “meras regras” e aos “tecnicismos da austeridade”, devendo, sim, regressar à “Europa dos ideais”.

“Há que contribuir para uma Europa diferente”, prosseguiu Renzi, destacando a importância do Mediterrâneo a propósito da construção de uma identidade cultural.

O secretário de Estado espanhol para a UE, Fernando Eguidazu, disse que o objetivo da reunião era discutir pontos em que há “uma visão comum” e problemas partilhados, “todos relacionados entre si”, como a segurança e o terrorismo, enfrentar os problemas da migração e o escasso crescimento económico combinado com o elevado desemprego.

A todos, sublinhou, “há que dar uma resposta europeia”.