A Grã-Bretanha reconheceu, esta quarta-feira, segundo a Reuters, que enviou, por engano, centenas de cartas a cidadãos europeus ordenando-lhes que deixassem o país. O erro acontece numa altura em que os direitos dos cidadãos da União Europeia no Reino Unido estão a ser negociados.

O ministério do Interior britânico afirmou que começou uma investigação, depois de 100 dessas cartas terem sido enviadas a cidadãos de outros países da União Europeia, afirmando que iriam ser deportados de acordo com a lei da imigração, caso não abandonassem o Reino Unido.

Um número limitado de cartas foi enviado por engano e nós estamos a investigar, com urgência, o motivo para isso ter acontecido. Estamos absolutamente certos de que os direitos dos cidadãos da União Europeia permanecem inalterados”, disse uma porta-voz do Ministério do Interior Britânico, de acordo com a agência Reuters.

Mais tarde, segundo o jornal The Guardian, a primeira-ministra considerou que a situação era um "erro infeliz".

Sei que trataram rapidamente de entrar em contato com as pessoas que receberam essas cartas para lhes assegurar que não seriam deportadas e quero garantir aos cidadãos da União Europeia aqui no Reino Unido que os seus direitos e estatuto não mudaram", afirmou Theresa May.

Vítimas do "erro"

Uma das vítimas do erro, Eva Johanna Holmberg, finlandesa e casada com um britânico, disse ao jornal The Independent que “não podia acreditar no que estava a ver” quando recebeu a carta.

Apesar da Grã-Bretanha ter prometido um acordo generoso para os cidadãos da União Europeia depois do Brexit, a verdade é que ainda não se sabe como os direitos desses cidadãos serão protegidos.

Os direitos dos cidadãos europeus são uma das questões que a Grã-Bretanha quer resolver, antes de começar a discutir a futura relação do Reino Unido com a União Europeia. Também Bruxelas defende que essa questão deve ficar clara antes de começarem as conversações.