A Comissão Europeia fez saber, esta quinta-feira, que Itália é responsável pela manutenção da Ponte Morandi, que colapsou na terça-feira, em Génova, e que tinha fundos e recomendações para o fazer. As declarações surgem depois de, na quarta-feira, o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, ter atribuído a culpa da tragédia às restrições financeiras impostas pelas União Europeia.

Achámos que chegou o momento de esclarecer algumas coisas”, começou por dizer o porta-voz da União Europeia, Christian Spahr, nesta quinta-feira. 

Christian Spahr recordou que, para o período entre 2014 e 2020, Itália tem “cerca de 2.500 milhões de euros de fundos europeus estruturais e de coesão para investimentos na rede de insfraestruturas de estradas ou ferrovias”.

O porta-voz da Comissão sublinhou ainda que, em abril, Bruxelas aprovou um plano de investimentos italianos no valor de 8.500 milhões de euros destinados a investimentos em infraestruturas, “inclusive na região de Génova”, onde aconteceu a tragédia.

Mais, Spahr esclareceu que, no âmbito das recomendações feitas a cada país neste ano, o Conselho da União Europeia sugeriu que "as autoridades italianas concentrassem melhores investimentos para promover o desenvolvimento das infraestruturas".

De acordo com as regras orçamentais acordadas, os países são livres de estabelecer políticas prioritárias específicas como, por exemplo, o desenvolvimento e a manutenção de infraestruturas. De facto, a União Europeia encorajou Itália a investir em infraestruturas", vincou.

O porta-voz de Bruxelas acrescentou ainda que a Diretiva Europeia de Segurança Rodoviária foi adotada em 2008 de modo a garantir que as considerações de segurança rodoviária estão à frente de todas as fases de planeamento, projeto e manutenção de infraestruturas.

Na quarta-feira, o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, defendeu que as "restrições externas" impediam o país de  "ter estradas e escolas seguras", dando a entender que se referia às regras orçamentais impostas por Bruxelas.

Se há vínculos externos que nos impedem de gastar o dinheiro que queríamos em reformar escolas e autoestradas, temos de repensar se queremos continuar a respeitar esses vínculos ou a colocar a segurança dos italianos primeiro."