De um lado, xenofobia, perseguições e até violência. Do outro lado do canal - que agora, pelos vistos, mancha -, queixam-se os britânicos de provocações e intimidação. Tudo após os eleitores do Reino Unido terem decidido em referendo abandonar a União Europeia.

Fiquem na vossa ilha. Não temos pena”, estaria escrito num bilhete entregue por um funcionário comunitário a alguns eurodeputados britânicos. O caso é um dos que é relatado pelo MailOnline, o site do tablóide inglês Daily Mail.

Num muro perto do Parlamento Europeu, as frases registadas carregam mais calão: “F**k off UK”, algo que dispensa traduções, mas pode mostrar em letras garrafais o clima reinante.

De acordo com o MailOnline, a ira dos eurocratas tem-se virado contra os eurodeputados, sejam a favor ou contra o Brexit, mas também contra funcionários, britânicos ou não, dos gabinetes desses parlamentares.

Se as queixas registadas partem de funcionários não identificados, os eurodeputados partidários do Brexit dão a cara e carregam na nota para fazer realçar o propalado mal-estar.

A narrativa geral é de que há abusos racistas nas ruas da Grã-Bretanha, mas algumas das coisas que vemos da parte dos eurocratas de Bruxelas são horríficas”.

As palavras são de Nigel Farage, eurodeputado, líder do partido UKIP e um dos mais acérrimos defensores do Brexit. Mas outras vozes de britânicos se lhe juntam.

Estes ataques são muito desprezíveis. O nacionalismo europeu é um problema sério. E tornou-se incrivelmente vingativo desde que votámos pela saída”, uma opinião registada pelo MailOnline, vinda do eurodeputado Conservador David Cambell Bannerman.

 

Mais um mail para a discórdia

 

A ser verdade que os ânimos em Bruxelas estão em brasa, até um simples mail geral para os funcionários britânicos pode ser mais uma acha para a fogueira. Mais ainda quando ao autor é o próprio presidente do Parlamento Europeu. E por ter falado de lealdade.

Vocês mostraram a vossa lealdade ao ideal da Europa com o vosso trabalho árduo para o sucesso do Parlamento Europeu”, escreveu Martin Schulz, acrescentando que no “espírito de lealdade recíproca, continuarei a trabalhar com os presidentes das instituições europeias para assegurar que irei contar com o vosso inestimável contributo”.

As palavras aparentemente simpáticas terão sido recebidas por alguns funcionários dos gabinetes britânicos em Bruxelas como uma ameaça. De que a deslealdade com a União Europeia teria um preço a pagar no futuro.

Exagerados ou não, os receios levaram mesmo um porta-voz de Martin Schulz a justificar o mail enviado. Recusando que pudesse “de alguma maneira ser intimidatório” e acrescentando “não haver notícia de bullying sobre funcionários britânicos no Parlamento Europeu”.