Os ministros das Finanças da zona euro alcançaram hoje, no Luxemburgo, um acordo sobre as modalidades da saída da Grécia do terceiro programa de assistência, que põe fim a oito anos de resgates a Atenas, anunciou o presidente do Eurogrupo.

Este foi um Eurogrupo para recordar. Após oito longos anos, a Grécia vai finalmente concluir a sua assistência financeira e junta-se à Irlanda, Espanha, Chipre e ao meu próprio país, Portugal, no grupo de países a dar a volta à sua Economia e a reconquistar a sua autonomia”, declarou Mário Centeno, na conferência de imprensa no final do Eurogrupo.

Após várias horas de reunião, iniciada na quinta-feira à tarde, os credores da Grécia chegaram a um compromisso, já na madrugada de hoje, que contempla medidas de alívio da dívida grega, prolongamento dos prazos de pagamento dos empréstimos, uma última tranche de 15 mil milhões de euros como “almofada” financeira, mas também uma vigilância pós-programa reforçada.

A saída da Grécia do seu terceiro programa de assistência, que deverá consumar-se em 20 de agosto, representa também o final do ciclo de resgates a países na zona euro no quadro da crise económica e financeira, entre os quais Portugal (2011-2014).

“Conseguimos assegurar uma aterragem suave após este ajustamento longo e difícil. Não haverá programas complementares. Hoje podemos dizer que a Grécia cumpriu e o Eurogrupo também fez a sua parte”, declarou Centeno.

Apontando que a análise da dívida grega – que atinge 178% do PIB do país - demonstrou que eram necessárias medidas adicionais de alívio da dívida para garantir a sua sustentabilidade no futuro, Centeno disse que foi adotado um pacote, que prevê, entre outras medidas, o prolongamento por 10 anos do prazo de pagamento do empréstimo concedido pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF).

Sublinhando que o fim do programa traz novas responsabilidades, e que cabe à Grécia preservar os feitos alcançados durante todo o processo de ajustamento e prosseguir o esforço de reformas, Centeno indicou que a última tranche de 15 mil milhões de euros permitirá à Grécia sair do programa, em agosto, com uma “almofada” de 24,1 mil milhões de euros, que deverão cobrir as necessidades financeiras para os 22 meses seguintes.