A ex-diretora geral da UNESCO Irina Bokova alertou que as alterações climáticas representam uma das maiores ameaças para os locais classificados como Património Mundial, defendendo ser importante cumprir o Acordo de Paris.

“Veneza, a Grande Barreira de Coral e Yellowstone são exemplos icónicos de locais já afetados em grande escala pelas alterações climáticas”, afirmou Irina Bokova, durante a sua intervenção na cimeira Climate Change Leadership, a decorrer hoje no Porto.

Para a responsável, as alterações climáticas representam a maior ameaça para os espaços classificados como Património Mundial e não há forma de medir o impacto que o clima pode ter no futuro.

Irina Bokova alertou ainda que a cultura, história comum e tradições estão “em risco de desaparecer”, defendendo por isso a necessidade de implementar o Acordo de Paris, que visa minimizar as consequências do aquecimento global.

Também durante a manhã, Mohan Munasinghe, ex-vice-presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) das Nações Unidas, e membro da equipa que ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2007, manifestou a sua preocupação para com o impacto das alterações climáticas.

Para Munasinghe, as alterações climáticas vão agravar problemas como a pobreza, desigualdade social, conflitos, inseguranças, corrupção e violência, sendo por isso fundamental promover um desenvolvimento sustentável.

Falando sobre o impacto no setor vitivinícola, destacou como a falta de água e o aumento da temperatura podem afetar a qualidade do vinho.

Num apelo à plateia, Mohan Munasinghe disse: “temos de ter fé nos jovens, acho que têm mais ferramentas para serem os novos líderes do futuro”.

Depois da pausa para almoço, o presidente da Advanced Leadership Foundation (ALF), Juan Verde, irá retomar a cimeira para explicar como o combate às alterações climáticas pode ser positivo para o desenvolvimento económico e o ambiente.

A intervenção do 44.º presidente dos Estados Unidos da América Barack Obama, que assumiu o combate às alterações climáticas como uma prioridade para os seus mandatos, entre 2009 e 2017, está prevista para as 15:00.

A cimeira serviu também de mote para o lançamento do Protocolo do Porto, que pede aos seus subscritores que “façam mais do que estão a fazer para ajudar a mitigar e solucionar as alterações climáticas – um problema de toda a humanidade, mas com um impacto direto no setor agrícola”, lê-se no documento a que a Lusa teve acesso.