O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, anunciou esta sexta-feira na sua página na rede social Facebook, que apresentou o pedido de demissão do cargo ao presidente guineense, José Mário Vaz.

No texto, Embaló, de 46 anos, não especificou os motivos para o pedido de demissão. Apenas referiu ter apresentado ao chefe do Estado guineense a segunda carta naquele sentido, depois de o já ter feito no passado dia 6 de dezembro.

Agradeço vivamente o Presidente da República, os membros do Governo, com os quais trabalhei durante 15 meses”, indicou Umaro Sissoco Embaló que afirma ser fiel aos partidos e deputados que o apoiaram.

Embaló afirmou, igualmente no Facebook que, olhando pela história, em 20 anos, nunca os doadores se mostraram satisfeitos com um governo, numa referência ao desempenho da sua equipa.

Choque com presidente?

Também esta sexta-feira, o jornal guineense O Democrata, na sua edição ‘online’ noticiou que o primeiro-ministro entregou ao presidente guineense a carta de demissão do cargo, citando várias razões que teriam motivado Embaló.

Segundo O Democrata, o primeiro-ministro “não digeriu bem” a posição do chefe do Estado nos incidentes com dois ministros do seu governo, João Fadiá, das Finanças, e Botche Candé, do Interior.

O jornal afirma que Umaro Embaló considerou que José Mário Vaz esteve do lado dos seus ministros.

A Lusa tentou infrutiferamente confirmar o pedido de demissão com o próprio Embaló e com a presidência da República.

Presidente contestado em Bissau

Em Bissau, o Movimento de Cidadãos Inconformados com a crise política na Guiné-Bissau acusou a comunidade internacional de “passividade e de brincadeira com o povo guineense”, que sofre nas mãos do Presidente do país, José Mário Vaz.

A margem de um comício popular, organizado em Bissau, o porta-voz do Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados com a crise política, Sumaila Djaló, afirmou que a atuação da comunidade internacional “apenas permite ao presidente ganhar tempo”.

A comunidade internacional não pode ter o povo da Guiné-Bissau a sofrer com um regime anticonstitucional da República e não se posicionar de forma clara. Está a brincar com o povo da Guiné-Bissau”, defendeu Sumaila Djaló.

O porta-voz apontou o dedo à Comunidade Económica de Estados da Africa Ocidental (CEDEAO) e à representação da ONU em Bissau, para as acusar de “falta de posição clara” perante a crise guineense.

Estamos a pedir à comunidade internacional que se posicione de forma incisiva para demonstrar que, de facto, compreende o problema em que estamos, para demonstrar que não está a dormir perante um Governo ilegal”, declarou Sumaila Djaló.