A maioria dos passageiros e alguns tripulantes do navio de expedição científica encalhado ao largo da Antártica poderá ser resgatada de helicóptero para um navio quebra-gelo chinês, caso as condições meteorológicas melhorem, anunciaram as autoridades russas.

Depois de três tentativas falhadas de resgatar a tripulação através de navios quebra-gelo (um chinês, um francês e um australiano), as autoridades querem agora avançar com meios aéreos.

De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, a ideia é utilizar um helicóptero para resgatar 52 passageiros e quatro tripulantes do «MV Akademik Shokalskiy».

O navio russo ficou preso num campo de gelo na passada terça-feira, com 74 pessoas a bordo, entre as quais cientistas, turistas e tripulantes.

Segundo informações avançadas hoje de manhã por fonte da autoridade marítima australiana, o mau tempo e pouca visibilidade tornaram «difícil» e mais «perigosa» a última operação de salvamento, que acabou por ser abortada.

O centro de coordenação de salvamento australiano está em contacto regular com o navio e garante que os passageiros continuam em segurança e que existem mantimentos suficientes.

Chris Turney, um dos líderes da expedição científica, disse via Skype a partir do navio encalhado que as pessoas a bordo estavam de bom humor e que queriam que as suas famílias e amigos soubessem que estão bem.

Turney, que é professor de alterações climáticas na Universidade de Novas Gales do Sul, em Sydney, disse ainda que imagens de satélite indicavam que a embarcação tinha ficado presa num pedaço de gelo que se tinha desprendido de um glaciar.

Na esperança de melhorar as pesquisas sobre mudanças climáticas, a equipa a bordo do navio russo está a realizar as mesmas experiências científicas que o grupo da expedição do australiano Douglas Mawson realizou entre 1911 e 1914.