O presidente russo, Vladimir Putin, felicitou este sábado o suíço Joseph Blatter pela sua reeleição à frente da FIFA, organismo ao qual ofereceu a colaboração para a organização do Mundial de futebol da Rússia 2018.

"Putin manifestou-se convencido de que a experiência, o profissionalismo e a grande autoridade ajudarão Blatter a continuar a aumentar a geografia e a popularidade do futebol em todo o mundo", refere o telegrama de felicitação, segundo informou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.


Além disso, o presidente russo "sublinhou, uma vez mais, que a Rússia está interessada e disposta a colaborar com a FIFA, em geral, e para preparar o Campeonato Mundial de Futebol da Rússia, em particular".

"A Rússia tem intenção de realizar todos os esforços necessários para organizar de maneira bem-sucedida esse torneio e também para a popularização do futebol e aumentar o milionário exército dos aficionados deste desporto", adiantou.


Depois de rebentar o escândalo de corrupção envolvendo a FIFA, Putin denunciou que a detenção em Zurique de responsáveis do organismo a pedido da justiça norte-americana era uma tentativa de impedir a reeleição de Blatter.

"Não há dúvidas de que é uma clara intenção de não permitir a reeleição de Blatter como presidente da FIFA", disse.

O presidente da FIFA, Joseph Blatter, que foi reeleito na sexta-feira, denunciou hoje um "ódio, vindo não apenas de uma pessoa da UEFA, mas de uma organização, a UEFA, que não entendeu" que em 1998 se tenha tornado presidente.

Quanto questionado sobre Michel Platini, presidente da UEFA, que pediu a sua demissão, Joseph Blatter respondeu a uma cadeia de televisão suíça: "Eu perdoo a todos, mas não esqueço", acrescentando estar "chocado" com as acusações da justiça norte-americana que considera uma tentativa para "interferir com o congresso" no qual foi reeleito como presidente da FIFA.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou na quarta-feira nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da FIFA, acusando-os de associação criminosa e corrupção nos últimos 24 anos, num caso em que estarão em causa subornos no valor de 151 milhões de dólares (quase 140 milhões de euros).

Entre os acusados estão dois vice-presidentes da FIFA, o uruguaio Eugenio Figueredo e Jeffrey Webb, das Ilhas Caimão e que é também presidente da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas), assim como o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação da América do Sul (Conmebol).

Dos restantes dirigentes indiciados fazem parte o brasileiro José María Marín, membro do comité da FIFA para os Jogos Olímpicos Rio2016, o costarriquenho Eduardo Li, Jack Warner, de Trinidad e Tobago, o nicaraguense Júlio Rocha, o venezuelano Rafael Esquivel e Costas Takkas, das Ilhas Caimão.

A FIFA suspendeu provisoriamente 11 pessoas de toda a atividade ligada ao futebol: os nove dirigentes ou ex-dirigentes indiciados e ainda Daryll Warner, filho de Jack Warner, e Chuck Blazer, antigo homem forte do futebol dos Estados Unidos, ex-membro do Comité Executivo da FIFA e alegado informador da procuradoria norte-americana, que já esteve suspenso por fraude.

A acusação surge depois de o Ministério da Justiça e a polícia da Suíça terem detido Webb, Li, Rocha, Takkas, Figueredo, Esquivel e Marin na quarta-feira, num hotel de Zurique, a dois dias das eleições para a presidência da FIFA, à qual concorrem o atual presidente, o suíço Joseph Blatter, e Ali bin Al-Hussein, da Jordânia.

Joseph Blatter foi reeleito na sexta-feira para um quinto mandato como presidente da FIFA, até 2018, ao vencer o jordano Ali bin al Hussein, num sufrágio realizado no 65.º Congresso do organismo que tutela o futebol mundial.

Blatter acabou por ser eleito ao final da primeira volta, depois de o seu oponente ter anunciado que não disputaria uma segunda volta.