O investigador Bruno Cardoso Reis afirma que a situação na Ucrânia deixou mal vistos os vários atores envolvidos e que a União Europeia nunca poderia oferecer mais que austeridade e uma adesão a longo prazo.

Durante uma intervenção na conferência «A crise na Ucrânia: uma perspetiva geopolítica; implicações da crise no Sistema Internacional» organizada pelo Instituto da Defesa Nacional na Universidade Católica do Porto, o investigador do Instituto de Ciências Sociais Bruno Cardoso Reis apelou para que a União Europeia tenha uma «visão menos economicista» das questões geoestratégicas, havendo um consenso no painel de oradores de que Bruxelas lidou mal com a situação.

O doutorado em segurança internacional pelo departamento de Estudos de Guerra do King¿s College de Londres realçou que os países europeus - e em especial a Alemanha - têm de se aperceber de que «a insegurança não vem só do sul», lembrando a questão do gás da Argélia, mas também de regiões mais próximas, a leste.

Bruno Cardoso Reis alertou ainda para as repercussões da crise ucraniana nas suas várias vertentes, desde a potencial instabilidade duradoura na zona leste do país que ainda este fim de semana elegeu um novo presidente às eventuais dificuldades levantadas pela Rússia em casos mais distantes como o Irão.

Por seu lado, o professor da Universidade Católica Azeredo Lopes declarou que «a tragédia da Ucrânia é nunca ter conseguido ser um Estado», questionando até a existência de um povo ucraniano.

Também Azeredo Lopes sublinhou os «erros gravíssimos» cometidos pela União Europeia desde o início da crise da Ucrânia ao mostrar «uma incapacidade para perceber que estava a "pisar ovos"» e a ingerir-se indevidamente nos assuntos locais.

«Temos uma situação em que todos sabemos que existe um conflito armado e todos fingimos que não», afirmou o académico.

Petro Poroshenko venceu as eleições presidenciais ucranianas, realizadas no domingo, com mais de 54% dos votos.

No dia seguinte, Moscovo reagiu à vitória de Poroshenko, afirmando que era «ainda prematuro» falar de um encontro entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o novo líder ucraniano.

No terreno, o exército ucraniano afirmou hoje ter tomado o controlo do aeroporto de Donetsk, no leste da Ucrânia, após combates com os insurgentes pró-russos que fizeram pelo menos 40 mortos.