Os países mediterrânicos da União Europeia apelaram, esta sexta-feira, à comunidade internacional para se abster de ações militares que possam impedir uma solução política na Síria e consideraram que a paz não será alcançada sob a liderança de Bashar al-Assad.

"Os ministros destacaram que não pode haver qualquer solução militar para o conflito na Síria. A comunidade internacional e todos os atores devem apoiar os esforços diplomáticos para uma solução política do conflito (...) e desistir de todas as ações, particularmente militares, que possam impedir este caminho", afirmam os chefes da diplomacia dos países reunidos no Grupo Informal do Mediterrâneo (Med Group - Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, Malta e Chipre), que esta sexta-feira realizaram o terceiro encontro na cidade cipriota de Limassol.

A resolução política do conflito sírio deverá "responder às preocupações legítimas do povo sírio", consideram os ministros, na declaração final, que sublinha que "não poderá haver uma paz duradoura sob a atual liderança" do país, sob a presidência de Bashar al-Assad.

O Med Group recomenda que a União Europeia tenha "uma contribuição direta e decisiva" para a solução do conflito sírio, tendo em conta "o impacto da crise na União Europeia e nos seus Estados-membros".

Os países mediterrânicos apelaram ainda à "imediata cessação das hostilidades" em todo o país - o cessar-fogo deverá entrar em vigor no sábado, conforme o acordo alcançado entre os Estados Unidos e a Rússia - e afirmaram que as partes devem travar "imediata e incondicionalmente todos os ataques contra civis" e permitir que as agências humanitárias tenham acesso total e rápido às populações afetadas.

O conflito sírio, iniciado há cinco anos, provocou centenas de milhares de mortos e milhões de refugiados.

Portugal foi representado na reunião do Med Group pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.