Sem papas na língua, Nicola Sturgeon afirmou em Bruxelas, esta quarta-feira, que a Escócia pretende manter-se entre os Estados-membros da União Europeia.

Estamos numa fase inicial do processo. Mas fiz ver de forma clara que a Escócia tem o desejo de proteger a sua relação com a União Europeia”, sublinhou a primeira-ministra do governo da Escócia, após um breve encontro com o presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz.

A vontade da Escócia de permanecer na União Europeia foi também expressa na sessão de terça-feira do Parlamento Europeu, por parte de deputados escoceses.

Nicola Sturgeon, defensora da independência da Escócia face ao Reino Unido, tem esta quarta-feira uma série de reuniões com dirigentes da União Europeia, em particular com o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker.

Em Bruxelas, decorre ainda o Conselho Europeu que avalia a decisão britânica de sair da União Europeia, que esta quarta-feira já não conta com o primeiro-ministro britânico David Cameron.

Por seu lado, Nicola Sturgeon pretende avaliar qual a melhor forma da Escócia permanecer ligada à União Europeia. No referendo de 23 de Junho, enquanto o abandono da União Europeia obteve 51,9% dos votos no Reino Unido, 62% dos escoceses optaram pela manutenção da adesão, assim como 55% dos eleitores da Irlanda do Norte.

Veto é arma escocesa

Decidida em manter a adesão à União Europeia, Nicola Sturgeon afirmou há dias a intenção de iniciar negociações diretas com Bruxelas, ameaçando mesmo vetar a saída britânica.

Em entrevista à BBC, lembrou haver a obrigação de qualquer rutura de tratados internacionais por parte do Reino Unido, ter de ser obrigatoriamente ratificada pelo parlamento escocês, que pode assim vetar a decisão do Brexit.

Nesse caso, para forçar a saída da União Europeia, o parlamento do Reino Unido teria que revogar a lei que atribui o poder de veto aos deputados escoceses.

Contudo, sustentada na recusa do Brexit por parte dos eleitores escoceses, a primeira-ministra Nicola Sturgeon já garantiu estar a preparar um novo referendo sobre a independência escocesa do Reino Unido.

Há dois anos, em referendo, 53,3% dos escoceses optaram por permanecer no Reino Unido, enquanto 44,7% votaram pela independência.