A polícia antimotim e os milhares de manifestantes concentrados na Praça da Independência enfrentaram-se esta madrugada depois da polícia ter rompido as barricadas instaladas em várias extremidades do local da capital ucraniana, escreve a agência Efe.

Mais de 10.000 manifestantes ucranianos concentraram-se no centro de Kiev, desafiando a ação da polícia para dispersar o protesto, constatou um jornalista da AFP. Em vez de diminuir, o número de manifestantes cresceu após a ação da polícia no final da noite de terça-feira, com a formação de barricadas humanas para prevenir nova entrada das forças antimotim na praça a partir das ruas adjacentes.

Os manifestantes, segundo a agência Liga.net, conseguiram repelir a polícia num dos acessos da praça em Kiev que há três semanas é a base da contestação popular, nascida da recusa do Presidente Viktor Ianoukovich em assinar, no final de novembro, um acordo de associação com a União Europeia.

Segundo o Ministério do Interior, citado pela Efe, pelo menos dez soldados ficaram feridos nos confrontos com os manifestantes, que ainda permaneciam esta madrugada na praça.

O Ministério disse ainda que a ação da polícia para remover as barricadas junto à Praça da Independência foi um trabalho de «limpeza urbana» e que os efetivos policiais não usaram gás lacrimogéneo contra os manifestantes.

«O Ministério do Interior declara oficialmente que os agentes da polícia e os efetivos das tropas do Interior não utilizaram gás lacrimogéneo nem outros meios especiais contra os manifestantes», indica um comunicado citado pela Efe.

Segundo o Ministério do Interior, «trabalhadores municipais realizaram trabalhos de limpeza urbana na área junto à Praça da Independência durante a noite para não criar dificuldades adicionais para o tráfego e cidadãos».

Um dos líderes da oposição ucraniana, Arseni Iatseniouk, previu para esta quarta-feira uma manifestação com «milhões» de manifestantes na Praça da Independência.

«Nós não vamos perdoar. Amanhã vão estar aqui milhões de pessoas e o regime vai ceder», perspetivou.

Para o responsável do partido da opositora Ioulia Timochenko, atualmente presa, o Presidente Viktor Ianoukovitch «cuspiu na cara da América e dos 28 países da UE».

Outro líder da oposição, Vitali Klitschko, também apelou à mobilização: «Cidadãos de Kiev, levantem-se, vamos!»

«Somente juntos podemos lutar pelo direito de viver num país livre», acrescentou, pedindo a renúncia do Presidente.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, deplorou hoje o uso da força pela polícia antimotim ucraniana.

«As autoridades não tinham de atuar sob a cobertura da noite para se dirigirem à sociedade mediante o uso da força», escreveu no twitter Catherine Ashton, de visita à capital ucraniana.

A chefe da diplomacia europeia também se mostrou «impressionada pela determinação» que viu na 'Euromaidan'», como chamam os manifestantes à concentração na Praça (maidan, na língua ucraniana) da Independência».

Catherine Ashton lamentou que «a polícia tenha usado a força para dispersar as pessoas pacíficas», ao mesmo tempo que sublinhou que «um diálogo entre as forças políticas e a sociedade é sempre melhor do que o uso da força».