Os líderes da União Europeia e o presidente norte-americano afirmaram que a Rússia está «isolada» a nível global e garantiram que vão manter «uma ação coordenada» para aprofundar as sanções caso continue a «desestabilização na Ucrânia».

Estas posições foram assumidas pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, e pelo presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Barack Obama, durante a conferência de imprensa que encerrou a cimeira União Europeia-Estados Unidos, em Bruxelas.

Os três líderes sublinharam estar «unidos» no apoio à Ucrânia e procuraram passar uma mensagem de isolamento de Moscovo perante a comunidade internacional.

Barack Obama advertiu que tanto as Nações Unidas, como a União Europeia, como a NATO, reprovam as ações da Rússia e que todos os países do G7, que se reunirá em junho em Bruxelas, tomaram sanções contra aquele país.

Reduzir a dependência de gás russo

O presidente da Comissão Europeia anunciou uma reunião entre responsáveis da União Europeia e dos Estados Unidos para discutir a importação de gás, de modo a reduzir a dependência em relação à Rússia.

«As nossas equipas vão reunir-se, a nível ministerial, na próxima semana para discutir algumas questões relacionadas com a cooperação energética entre a UE e os EUA», disse José Manuel Durão Barroso.

Os respetivos chefes da diplomacia - John Kerry (EUA) e Catherine Ashton (UE) - chefiam as delegações, adiantou.

«Temos que resolver alguns dos nossos problemas», adiantou, exemplificando com as ligações que necessitam de ser melhoradas.

«Temos que fazer o trabalho de casa», disse ainda Durão Barroso, considerando que a decisão dos EUA de comercializar gás de xisto é uma «boa notícia».

Por seu lado, Barack Obama salientou que, no atual contexto geoestratégico, «todas as fontes de energia têm os seus inconvenientes e desvantagens», acrescentando considerar «útil» que a Europa olhe para os EUA como uma possível fonte energética.

A importação de gás natural liquefeito (GNL) a partir dos EUA é uma das apostas da UE para diversificar as fontes de importação, aumentando assim a segurança energética, dado que a Rússia fornece um terço das necessidades da UE.

Bruxelas acolheu hoje uma cimeira entre a UE e os EUA, tendo sido a primeira vez que o Presidente norte-americano, Barack Obama, se deslocou à «sede» das instituições comunitárias desde que se encontra na Casa Branca.

A cimeira de hoje, que juntou à mesa Durão Barroso e o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, do lado europeu, e Barack Obama, foi marcada por uma forte convergência de posições, motivada pela crise na Ucrânia, depois de alguma turbulência na relação transatlântica.

No que respeita à política energética, os líderes da UE reconheceram na sexta-feira a prioridade de concluir o mercado interno da energia este ano e em desenvolver as interconexões de gás e eletricidade em 2015, nomeadamente entre a Península Ibérica e o resto da Europa, o que Durão Barroso considerou então ser «do maior interesse para Portugal».