Pelo menos seis civis morreram nas últimas 24 horas nos ataques com fogo de artilharia contra Donetsk, principal praça forte rebelde no leste da Ucrânia, informaram este sábado os rebeldes pró-russos.

Um dos projéteis caiu num hospital na localidade de Dokuchaevsk, ainda que sem provocar quaisquer feridos, segundo Eduard Basurin, subchefe do Estado-Maior da autoproclamada república popular de Donetsk, à imprensa local.

Os rebeldes acusam as forças governamentais de atacar com armamento pesado as localidades que controlam e por isso dificultar a evacuação da cidade de Debaltsevo, epicentro dos violentos combates durante esta semana.

No entanto, segundo meios ucranianos, os autocarros que partiram na sexta-feira de Debaltsevo com destino a território sob controlo governamental iam «cheios», enquanto os que saíram para as zonas rebeldes chegaram «meio vazios».

Ambas as partes concordaram em abrir  um corredor humanitário para aliviar a situação humanitária dos civis da zona, mas os separatistas informaram, este sábado, que a evacuação foi adiada por motivos de segurança.

Depois de várias semanas de violentos confrontos, nos últimos dias estes pareciam ter diminuído de intensidade, coincidindo com o anúncio de uma proposta de paz franco-alemã, que tanto a França como a Alemanha apresentaram em Kiev e Moscovo.

Na sexta-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Francois Hollande, mantiveram negociações sobre a Ucrânia no Kremlin até à meia-noite com o líder russo, Vladímir Putin.

As três partes consideraram as consultas «construtivas», mas nenhum dos mandatários fez declarações à imprensa para explicar os resultados das conversações ou o conteúdo do plano de paz para solucionar o conflito na Ucrânia.

Analistas, citados pela Efe, afirmaram que o facto de as partes terem concordado em prosseguir as consultas hoje e no domingo, depois de a Alemanha ter recusado um eventual fornecimento de armamento a Kiev, é um bom sinal para uma possível solução para o conflito.

A única coisa que se sabe é que a Alemanha, a França e a Rússia e a Ucrânia elaboraram um documento conjunto com base nos acordos de paz de Minsk de setembro de 2014, que também deverá ser aprovado pelos separatistas.

Os especialistas advertem que agora a dúvida é onde se traçará a linha de separação entre ambas as partes, já que as milícias pró-russas reconquistaram desde o princípio do ano centenas de quilómetros quadrados de terreno.

Washington afirmou estar ao par do plano e apoiou a iniciativa diplomática europeia, mas advertiu que podia fornecer armamento defensivo a Kiev, caso se mantenha a atual escalada do conflito na Ucrânia.