«Atualizada às 14:58»

Rustam Temirgaliev, vice-primeiro-ministro da Crimeia, anunciou que se vai realizar um referendo para decidir o estatuto da república autónoma. O parlamento votou por unanimidade a favor da integração da região na Rússia e cabe agora à população confirmar a decisão.

Segundo avançou a agência RIA, a votação popular vai acontecer a 16 de Março e ditará se a Crimeia vai continuar a integrar a Ucrânia ou se junta à Rússia.

Avança a BBC que à população serão feitas duas perguntas:



1-É a favor da da reunificação da Crimeia com a Rússia como parte da Federação Russa?

2-É a favor de reter o estatuto da Crimeia como parte da Ucrânia?

O vice-primeiro-ministro da Crimeia está confiante que a reunificação com a Rússia é a decisão pretendida pela população, e que a Crimeia está separada da sua «terra-mãe» «há demasiado tempo».

Rustam Temirgaliev está tão confiante na vontade do seu povo que já ordenou a retirada de quaisquer militares ucranianos presentes no território, pois já são considerados forças estrangeiras. A estes soldados foi dado um aviso, ou aceitam a rendição e saem da Crimeia, ou terão de ficar e aceitar a cidadania russa.

«As forças armadas de qualquer terceiro país são invasores. As forças ucranianas têm de escolher: baixar as armas, sair dos postos, aceitar a cidadania russa e alistarem-se no exército russo. Se não concordam, estamos preparados para os escoltar em segurança para fora da Crimeia, até à sua «terra-mãe», a Ucrânia», disse Temirgaliev.

Entretanto, a agência de notícias Itar-Tass afirma que uma nova lei, a publicar pelo parlamento russo na próxima semana, vai simplificar o procedimento para a integração de territórios de Estados estrangeiros na Federação Russa.

A Itrar-Tass cita o político Sergei Mironov como o autor das declarações e da lei.

«Para ser honesto, esta lei foi introduzida por mim pelo bem da Crimeia», disse Mironov.

Primeiro-ministro Ucraniano admite uso da força se as tropas russas não forem retiradas

O presidente interino da Ucrânia já afirmou que não reconhece o governo da Crimeia como legítimo e que as últimas decisões estão a ser tomadas de «arma apontada» (pela Rússia).

Também o primeiro-ministro da Ucrânia reagiu as pressões do governo autónomo da Crimeia e da Rússia. Em Bruxelas, onde os líderes europeus se reuniram para discutir a situação do leste europeu, Arseni Iatseniuk, apelou à retirada das tropas russas e admitiu o uso de armas se necessário.

Segundo a Lusa, Iatseniuk afirmou que a integridade territorial e a soberania devem ser respeitadas, que a entrada da Rússia na Crimeia é ilegítima e que «em caso de ataque, a Ucrânia reagirá».

«Ter botas e tanques russos no nosso território não é aceitável no século XXI», disse o primeiro-ministro ucraniano, no final do encontro com os líderes da União Europeia (UE).