Os 40 observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), em deslocação à Ucrânia a convite do novo executivo, foram impedidos de entrar na Crimeia por homens armados, anunciou esta quinta-feira fonte da organização em Viena.

Os 40 militares não armados regressaram à cidade de Herson, onde deverão decidir a continuidade da sua missão à Crimeia, que está prevista até ao próximo dia 12, indicou uma porta-voz da OSCE, citada pela Agência France Presse.

«Eles foram impedidos de entrar por dois grupos de homens armados, muito profissionais», declarou uma fonte diplomática ocidental à AFP, que contou que os observadores da organização foram bloqueados depois das 13:00 locais (11:00 em Lisboa) numa barreira na estrada de acesso a esta região do sul da Ucrânia controlada por elementos armados.

Este incidente dá continuidade ao clima de tensão que se tem agravado no leste europeu, entre a Ucrânia e Rússia, na disputa pelo território autónomo da Crimeia, que esta quinta-feira decidiu, no parlamento, deixar de pertencer à Ucrânia para integrar a Federação Russa.

A votação foi unânime dentro do parlamento, mas a última palavra será dada pela população da Crimeia que votará num referendo a que país quer pertencer. No entanto, o vice-primeiro-ministro da Crimeia está tão confiante na vontade do seu povo querer voltar para a Rússia, que já ordenou a retirada de quaisquer militares ucranianos presentes no território já os considerando forças estrangeiras. A estes soldados foi dado um aviso, ou aceitam a rendição e saem da Crimeia, ou terão de ficar e aceitar a cidadania russa.

A Crimeia já admitiu que poderá, até, alterar a sua moeda corrente para o rublo russo, caso a entrada na Federação se confirme.

A decisão e o facto de as tropas russas ainda não terem abandonado a península da Crimeia já levou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) a dirigir um comunicado a pedir a sua retirada imediata. A NATO já avisou que vai apoiar a Ucrânia e defender a sua soberania, nesta que já é considerada a pior crise desde a «Guerra Fria».



«A Ucrânia é tida como um parceiro de longa-data da NATO. Nestes momentos difíceis, a NATO apoia a Ucrânia, a sua soberania, integridade e os princípios da lei internacional», disse o Secretário Geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen.

«Esta crise não importa apenas à Ucrânia, pois tem implicações sérias para a segurança e estabilidade da área Euro-Atlântica como um todo. Claramente enfrentamos a mais grave ameaça à segurança europeia desde o fim da Guerra Fria. Acima de tudo pedimos à Rússia que respeite os seus compromissos internacionais e trave a tensão militar na Crimeia. Pedimos que retire as suas forças e cesse qualquer outra interferência em qualquer parte da Ucrânia», continuou.



A Nato não foi a única a pedir a retirada das tropas russas, também o primeiro-ministro ucraniano, durante a reunião de emergência dos líderes europeus em Bruxelas, alertou que, se tal não acontecer, não terá receio de usar a força.

Os Estados Unidos, membros da NATO e que já tinham também pedido a retirada da Rússia, já prometeram sanções para os envolvidos em toda esta situação. Barack Obama já mandou congelar ativos e proibir a emissão de vistos para russos e ucranianos envolvidos na perda de soberania da Ucrânia.

Segundo a Reuters, Barack Obama vai enviar 12 aviões F-16 para a Polónia, para intensificar os treinos programados naquele país (antes da crise) tendo em conta a crise na vizinha Ucrânia.

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