Notícia atualizada

A Agência France Presse (AFP) avança que todos os corpos das vítimas da queda do avião da Malaysian Arlines já foram removidos dos destroços. Segundo a mesma agência de notícias, os rebeldes pró-russos que guardavam a zona de impacto abandonaram, entretanto, o local, após a chegada dos investigadores. As equipas de emergência no local recusaram fazer quaisquer comentários sobre o sucedido.

De acordo com a Reuters, que cita funcionários dos caminhos de ferro, os cadáveres foram transportados para vagões de um comboio, com capacidade de refrigeração, estacionado na cidade de Torez, a 15 quilómetros da principal zona de impacto do avião.

Os monitores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) estiveram junto do comboio.

Também hoje, a Reuters divulgou imagens do aparente resgate de uma das caixas negras do avião, gravadas na sexta-feira.

Poucas horas depois de um separatista, que se apresentava como «Novorossiya» (Nova Rússia), publicar um tweet onde afirmava que «as caixas negras» do avião da Malaysia Airlines «foram levadas para Donetsk», o líder dos separatistas confirmou a informação, em conferência de imprensa, escreve a Reuters.

Aleksander Borodai, o primeiro-ministro da proclamada República do Povo de Donetsk, avançou que «as presumíveis» caixa negras do Boeing 777 tinham sido encontradas e transportadas para Donetsk, onde estavam sob a sua «vigilância».

Disse também estar pronto para entregar os materiais encontrados aos especialistas internacionais que vão verificar as causas do acidente, explicando que os rebeldes «não têm especialistas para analisar» e «não têm confiança» nos especialistas ucranianos.

Comunidade internacional aperta o cerco à Rússia

Sábado, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, defendeu durante uma conversa com o ministro Sergei Lavrov, que os investigadores tenham acesso total ao local do acidente. E disse ainda estar «muito preocupado» com os depoimentos que dão conta que os rebeldes têm pilhado os pertences das vítimas e profanado e roubado os corpos.

Local da queda «é totalmente caótico»

O local da queda do avião da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia é «totalmente caótico», disse este domingo o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, afirmando temer que a adulteração das provas continuasse. «A dificuldade é que o local é caótico, é absolutamente caótico», disse acrescentando que os procedimentos que normalmente são realizados num acidente de aviação não estão a ser feitos na Ucrânia.

A porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Jen Psaki, também reforçou a posição dos Estados Unidos, que consideraram «inaceitável» a falta de segurança no local da queda. «O local não é seguro e há vários relatos sobre corpos que foram movidos, peças do avião que foram retiradas, e sobre a possível falsificação de provas. Isto é inaceitável e é uma afronta a todos aqueles que perderam familiares queridos e à dignidade que as vítimas merecem», indicou.

PM britânico pede postura mais firme

Recorde-se que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediu, no sábado, uma postura mais firme do ocidente em relação à Rússia, na sequência da queda do avião, apelando aos países ocidentais para «mudarem a sua abordagem a Moscovo».

«A Rússia pode beneficiar desta oportunidade para sair da crise perigosa. Eu espero que o faça. Mas se não o fizer, então nós devemos reagir com firmeza», escreveu Cameron num artigo publicado no «Sunday Times».

Segundo Cameron, caso se confirme que o avião foi abatido por um míssil terra-ar lançado de uma zona controlada por separatistas pró-russos na Ucrânia, a Rússia deve ser considerada responsável.