O governo da região autónoma da Crimeia convidou a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para observar o referendo deste domingo (16), que irá "decidir" se a península vai integrar a Federação Russa.

Segundo avançou a agência RIA, esta segunda-feira, o convite foi endereçado à organização com sede em Viena. No entanto, uma porta-voz da OSCE já afirmou que a Crimeia não poderia ter convidado a organização para observar o referendo, uma vez que a península não é um dos 57 membros da OSCE.

«Até onde sabemos a Crimeia não é um Estado participante da OSCE, por isso é um pouco difícil que nos tenham convidado», disse.

A porta-voz também afirmou que a Ucrânia, que é um membro da OSCE, não enviou qualquer convite e que a organização respeita a «completa integridade territorial e soberania da Ucrânia».

Na semana passada, militares da OSCE tentaram por duas vezes entrar na região da Crimeia para uma missão de observação. Em ambas as vezes o acesso foi-lhes «cordialmente» negado por forças militares pró-russas, como admitiu o primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov.

Ucrânia e UE vão assinar acordo de cooperação

Entretanto, um acordo de cooperação entre Ucrânia e União Europeia, rejeitado pelo ex-presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, poderá avançar já este mês, avançou a agência ucraniana Interfax.

O acordo que vai aprofundar o vínculo entre o país e a união dos 28, poderá avançar já no dia 21, se não existirem entraves inesperados.

«Se houver vontade política e preparação, a data de 21 de março é possível», disse o ministro dos negócios estrangeiros ucraniano Andriy Deshchytsia.

O ministro afirmou, ainda, que a Ucrânia está a ponderar apresentar queixas relativas às ações da Rússia na Crimeia aos tribunais internacionais.



Estados Unidos preparam projeto de lei para sanções à Rússia e ajudas à Ucrânia

O senado norte-americano anunciou que já está a preparar um projeto lei com as sanções a impôr à Rússia e ajudas a prestar à Ucrânia, onde se incluí um empréstimo de auxílio ao país, aprovado na semana passada.

A notícia é avançada pela Reuters depois de um representante do departamento do Estado dos EUA afirmar que o secretário de Estado, John Kerry, está disponível para se reunir esta semana com o ministro dos negócios estrangeiros russo, Sergei Lavrov, para discutir a situação na Crimeia.

No entanto, Kerry exige que a Rússia se apresente com a mesma seriedade que os EUA.

«Ele [Kerry] nunca rejeita entrar num avião ou ter uma reunião pessoalmente, mas queremos assegurar que [a reunião] é vista com seriedade também pela outra parte», disse o porta-voz.