O Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, avisou a Rússia, este sábado, que a União Europeia está pronta para defender os seus princípios e pediu uma solução urgente para a situação na Ucrânia, antes que se «chegue a um ponto sem retorno».

Segundo a agência Reuters, Barroso considera que ainda não é tarde de mais para encontrar uma solução política para a questão ucraniana, mas frisou que a Rússia não deve subestimar a Europa.

«A Rússia não deve subestimar a vontade da União Europeia de defender os seus princípios e valores. Estamos prontos para tomar medidas sérias e claras, mas estamos abertos a uma solução política», afirmou.

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Barroso, que falava numa conferência de imprensa ao lado do Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, garantiu que a Europa está preparada para adicionar novas sanções à Rússia, que não devem ser vistas como uma tentativa de agravar o conflito, mas como forma de pressão sobre Moscovo, para acabar com a crise.

O Presidente da Comissão Europeia frisou que a Europa não quer uma nova «Guerra Fria».

«Não faz qualquer sentido ter uma nova "Guerra Fria". Seria prejudicial para a Europa».

Por sua vez o Presidente da Ucrânia disse que vai pedir à Comissão Europeia que determine novas sanções para serem implementadas, se necessário.

O pedido chega no mesmo dia que Petro Poroshenko afirmou que já existem milhares de tropas e tanques russos em território ucraniano, e que espera que a paz seja alcançada esta semana.

«Esperamos que nos próximos dias, a partir de segunda-feira, possamos alcançar novos progressos nas negociações de paz. Porquê? Porque estamos demasiado perto da fronteira de onde não haverá retorno», disse Poroshenko.



Também o presidente francês, François Hollande, se pronunciou sobre a crise, e admitiu que não duvida que o Conselho Europeu vai decidir aumentar as sanções à Rússia face à situação da Ucrânia.

«As sanções serão sem dúvida aumentadas e a Comissão Europeia tem de considerar o nível das mesmas», afirmou Hollande em Paris, no final de um encontro informal com oito líderes social-democratas europeus que antecedeu a cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) que se realiza esta tarde, em Bruxelas.

O presidente francês assinalou que a situação «se agravou» na fronteira entre a Ucrânia e a Rússia, acusou Moscovo de armar os separatistas daquele país e considerou «provável» a presença de soldados russos em território ucraniano.

«Há uma escalada de violência que faz com que o número de mortos seja impressionante: 2.500 nas últimas semanas. A população civil está a ser particularmente afetada, com deslocados e refugiados», afirmou o chefe do Estado, classificando a situação da Ucrânia como «a crise mais grave desde o final da guerra fria».

Hollande assinalou que a «Europa está particularmente preocupada porque se trata de uma das suas fronteiras e porque a Ucrânia é um país associado à UE».

Nesse sentido, o presidente francês disse ter pedido ao Conselho para que «atue sem tempo a perder», uma vez que «o risco é que ocorra realmente uma autêntica guerra».