Um ativista ucraniano na Crimeia, libertado na quinta-feira depois de 11 dias de cativeiro, denunciou ter sido torturado com choques elétricos e ameaçado de ver o seu fígado retirado com uma faca, num vídeo que publicou hoje na Internet.

Andrii Chtchekoun, figura mediática e dirigente do Euromaidan Crimeia, um movimento de contestação lançado em novembro contra o volte-face pró russo do poder ucraniano da altura, disse que foi preso no dia 09 de março pela polícia que, em seguida, o entregou à milícia pró Rússia.

O ativista foi detido no dia em que se celebrava o aniversário do poeta ucraniano Taras Shevchenko, um símbolo da luta pela independência da Ucrânia, quando participava numa grande manifestação em Simferopol, a capital da Crimeia.

«A polícia bateu-me no rosto, em seguida, socaram-me nos olhos e amarraram-me os braços, colocaram-me numa carrinha e transportaram-me para uma caverna», disse Chtchekoun, pai de três crianças que vivem na cidade de Bakjtchissarai.

«Eles despiram-me, amarraram-me a uma cadeira e torturaram-me com choques elétricos. Bateram-me nos ombros e, quando perdi a consciência, pontapearam-me no peito. Eles eram profissionais», revelou, citado pela agência de notícias francesa (AFP).

Segundo o ativista, os homens que o torturaram falavam com um sotaque caucasiano. Disseram-lhe que eram mercenários, alguns da Somália, e ameaçaram cortar-lhe o fígado com uma faca e cozinhá-lo.

Noutro dia do seu cativeiro, os homens que o mantinham refém dispararam balas de borracha contra os seus braços e pernas, disse Andrii Chtchekoun, mostrando as marcas destas lesões.

O ativista e outros seis militantes pró-Kiev da Crimeia que também foram sequestrados, foram libertados a 20 de março.

A Crimeia, península de língua russa da Ucrânia, foi ocupada durante mais de três semanas por tropas russas tendo sido, entretanto, anexada à Federação Russa esta semana, depois da realização de um referendo.