O cidadão português, de 56 anos, detido na sexta-feira à noite, pela Guarda Nacional venezuelana (polícia militar), quando chegava a casa, em Caracas, viu este domingo um tribunal conceder-lhe «liberdade plena», a pedido do Ministério Público, informou fonte judicial.

«A decisão do juiz foi aplicar uma medida de liberdade com regime de apresentação (periódica) para 39 detidos. A exceção foram os casos de dois estrangeiros, a fotojornalista Francesca Commisari e o cidadão português, a quem foi outorgada liberdade plena», disse aos jornalistas o advogado e professor de Direito Constitucional José Vicente Haro.

Mecânico da Teixeira Duarte e com um visto temporário de trabalho, no âmbito dos acordos de cooperação bilateral entre Portugal e a Venezuela, Ricardo Manuel Ferreira, 56 anos, foi detido na noite de sexta-feira durante uma operação da Guarda Nacional, nas proximidades da Praça Altamira (leste de Caracas), onde um grupo de manifestantes tentava impedir a circulação de viaturas com barricadas na estrada.

Alheio aos protestos, segundo algumas fontes contactadas pela Lusa, foi detido quando chegava à sua residência e levado para o Forte de Tiuna, a principal base militar de Caracas, conjuntamente com outras 40 pessoas.

Várias fontes indicam que entre os detidos se encontrava também um lusodescendente, Jacinto Gonçalves, e que os familiares destes cidadãos se queixam de que os guardas lhes retiraram os telemóveis.

Há 18 dias que se registam protestos em várias localidades da Venezuela, que provocaram já pelo menos 18 mortos, 261 feridos e fizeram mais de um milhar de detidos.

Os protestos começaram a 12 de fevereiro, com uma marcha pacífica de estudantes contra a insegurança, mas intensificaram-se nesse mesmo dia, quando confrontos entre manifestantes, forças de ordens e alegados grupos armados, provocaram a morte de três pessoas.

Segundo o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa, desde o começo das manifestações 76 jornalistas foram alvo de repressão na cobertura dos protestos.

As manifestações persistem, apesar de os venezuelanos terem por tradição viajar até localidades do interior do país para festejar o Carnaval.