O presidente da Coligação Nacional Síria, Ahmad Jarba, afirmou este sábado em Istambul, Turquia, que a oposição irá à conferência de Paz de Genebra, na Suíça, com o único objetivo de «se livrar» do presidente Bachar al-Assad.

«As negociações de Genebra têm como único propósito atender às exigências da revolução [...] e antes de mais nada retirar ao talhante [Assad] todos os seus poderes», disse Ahmad Jarba, depois de a Coligação Nacional Síria anunciar a sua participação na conferência que arranca na quarta-feira na Suíça.

A Coligação Nacional Síria, reunida em Istambul desde sexta-feira, decidiu participar na conferência de paz Genebra II, agendada para a próxima semana em Montreux (Suíça) para tentar encontrar uma solução negociada para o conflito na Síria.

A participação da oposição síria no exílio no encontro internacional foi aprovada com 58 votos a favor, 14 contra, duas abstenções e um voto em branco, referiu um comunicado divulgado em Istambul.

A votação realizou-se depois de uma noite e de um dia de intensas conversações, que decorreram à porta fechada num hotel da cidade turca.

Dos 120 membros da Coligação, que desde a sua fundação no outono de 2012 tenta representar o maior número de grupos opositores do regime do Presidente sírio Bashar al-Assad, apenas votaram 75.

Um número não determinado de opositores anunciou na semana passada que iria deixar a organização perante a aparente determinação da direção da Coligação em participar na conferência internacional.

Durante o último mês, a oposição síria no exílio, profundamente dividida sobre a eventual participação no encontro Genebra II, afirmou que rejeitava qualquer negociação que permitisse Bashar al-Assad continuar no poder.

Organizada pelos Estados Unidos e pela Rússia, com a supervisão das Nações Unidas, a conferência Genebra II, que deve arrancar na quarta-feira em Montreux, pretende encontrar uma solução negociada para a guerra civil na Síria.

Na sexta-feira, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou que o objetivo da conferência é «aplicar Genebra I», um acordo assinado em junho de 2011, mas nunca aplicado, que prevê um governo de transição na Síria.