O Pentágono está a mobilizar as forças armadas para o caso de o Presidente norte-americano decidir uma intervenção militar contra a Síria, declarou na sexta-feira o secretário de Defesa, Chuck Hagel. Já este sábado, a ONU reforçou a pressão em torno de Damasco e enviou mais um operacional para o terreno.

Os responsáveis militares norte-americanos prepararam uma série de «opções» para o Presidente Obama no caso de ele decidir um ataque contra o regime de Damasco, declarou Chuck Hagel, a bordo de o avião em rota para a Malásia, noticia a AFP.

Assim, a Marinha norte-americana mobilizou para o Mediterrâneo um quarto «destroyer» equipado com mísseis de cruzeiro, afirmou na sexta-feira à AFP um responsável da Defesa norte-americano. A sexta frota norte-americana, responsável pelo Mediterrâneo, decidiu deixar na zona o USS Mahan, inicialmente programado para regressar a Norfolk, na costa leste norte-americana, e ser substituído pelo USS Ramage.

No total, quatro «destroyers» - o Gravely, o Barry, o Mahan e o Ramage - todos equipados com várias dezenas de mísseis de cruzeiro Tomahawk, vão estar mobilizados no Mediterrâneo.

A decisão de intervir com forças militares na Síria parece estar a ganhar força na comunidade internacional, no entanto, deverá ainda estar longe de acontecer. A luz verde só deverá ser seriamente poderá se surgirem provas cabais do uso de armas químicas no ataque de há três dias que alegadamente terá feito mais de 1000 mortos.

Para apurar a verdade, a ONU intensificou a pressão e enviou para Damasco Angela Kane, a mais alta responsável pelo desarmamento nas Nações Unidas. Kane está no terreno para pressionar o regime de Bashar al-Assad a libertar o acesso à zona dos ataques aos investigadores da ONU que já estão na Síria.

O exército sírio continua a negar a autoria dos ataques, mas ainda não permitiu uma investigação independente. A origem do alegado químico continua a levantar muitas questões. A Rússia, o principal aliado do regime, já afirmou que existem que provas de que o ataque com armas químicas tenha tido origem nos próprios rebeldes e não no Exército. Este sábado a televisão estatal adiantou, cintando uma fonte anónima, que soldados encontraram vestígios de armas químicas nos túneis de rebeldes em Jobar, um subúrbio de Damasco. A televisão adiantou ainda que os soldados estariam a sufocar.

A dar também força a esta teoria está o facto do alegado ataque químico ter ocorrido dois dias depois de ter chegado investigadores das Nações Unidas à Síria para investigarem o uso de armas químicas pelo regime.

França e Reino Unido já acusaram o presidente Bashar al-Assad de ser o responsável pelo ataque e exigem respostas. Os Estados Unidos, que classificaram o uso de armas químicas como uma «linha vermelha», convocaram uma reunião de emergência e começaram a preparar uma eventual intervenção.

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