Notícia atualizada às 10:20

O presidente sírio, Bashar al-Assad, agradeceu o apoio dado pelo seu homólogo russo, Vladimir Putin, à Síria durante a cimeira do G20, que decorreu na semana passada, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Damasco.

«O presidente pediu-me para endereçar o seu agradecimento a Putin pela posição adotada durante e depois da cimeira do G20», afirmou esta segunda-feira Walid al-Muallem, em Moscovo, antes de uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov.

A Rússia está preocupada com o destino dos seus cidadãos na Síria e propõe-se fazer todos os possíveis para evitar uma intervenção militar nesse país, declarou por sua vez o ministro russo dos Negócios Estrangeiros.

«Estamos preocupados também com o destino dessa região massacrada e claro que não podemos deixar de nos preocupar com o destino dos cidadãos russos que vivem e trabalham na Síria, cuja vida e saúde estão ameaçadas», acrescentou Serguei Lavrov.

Lavrov defendeu também que, não obstante a gravidade da situação, «ainda há possibilidades de uma solução política» para o conflito da Síria.

«Acordámos passos práticos que vamos dar em contacto com outros Estados com vista a dar uma oportunidade que leve a uma solução política», precisou.

Segundo o chefe da diplomacia russa, o representante sírio deixou bem claro que o seu país está pronto a participar na Conferência Internacional Genebra-2 para, «sem condições prévias, procurar um acordo com os opositores».

Moscovo apoia também a posição de Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, sobre o regresso dos inspetores de armas químicas à Síria.

«Vem muito a tempo e é importante a declaração do secretário-geral da ONU sobre a necessidade do regresso do grupo de peritos que investigaram os casos de emprego de armas químicas na Síria e da conclusão do seu trabalho com base nos acordos antes conseguidos», frisou Lavrov.

A Rússia tem defendido que a inspeção da ONU decorra em vários locais alegadamente visados por armas químicas, lamentando que a equipa de peritos se tenha cingido à zona nos arredores de Damasco alvo de bombardeamentos a 21 de agosto.

O ministro russo excluiu ainda qualquer acordo «realizado nas costas» do Governo sírio.

«Não reagi à parte da pergunta que diz respeito a um tal acordo escondido. Na diplomacia da Rússia não há, nem pode haver, acordos feitos por detrás das costas do povo sírio», concluiu.