O conto popular «Capuchinho vermelho» foi sujeito a uma investigação, com recurso a um método matemático, para descobrir a árvore genealógica da história, que tem sido recontada às crianças ao longo de vários séculos.

As informações foram divulgadas pela revista «Plos One».

A revista científica publicou na quarta-feira uma investigação, liderada pelo antropólogo Jamie Tehrani, que sustenta que aquele conto tem um antepassado comum com uma outra história popular, intitulada «The wolf and the kids» («O lobo e os sete cabritinhos»).

A ligação entre os dois contos já tinha sido estudada antes, mas este antropólogo da Universidade de Durham, no Reino Unido, utilizou agora um método, intitulado «análise filogenética», para estudar 58 variantes da história. O objetivo é conseguir traçar a árvore genealógica do conto.

Entre as dezenas fontes utilizadas está «O Chapelinho Encarnado», conto recolhido pelo etnógrafo português Leite de Vasconcelos.

Uma das mais conhecidas é a história recolhida há 200 anos pelos irmãos Grimm, mas há registos de contos e tradição oral semelhantes oriundos de França, Itália, de África e da Ásia.

«Isto é como ter um biólogo a mostrar que os humanos e os macacos partilham um mesmo antepassado, mas evoluíram para diferentes espécies», afirmou o antropólogo autor do estudo.

O conto «O lobo e os sete cabritinhos», que narra a história de um lobo, mau, que comeu seis dos sete cabritinhos, deixados sozinhos em casa pela mãe, terá surgido antes de «Capuchinho Vermelho», no primeiro século depois de Cristo.

«Capuchinho Vermelho», no qual o lobo mau come a avozinha e tenta enganar a neta desta, terá aparecido um milénio depois.

De acordo com Jamie Tehrani, este estudo demonstra que uma versão arcaica da história, da tradição oral chinesa e até considerada percursora, é afinal uma derivação das histórias europeias.

O antropólogo revelou ainda que está a aplicar o mesmo método científico para investigar outras histórias populares e espera que os resultados ajudem a compreender melhor os padrões da migração do ser humano ao longo dos séculos.

Em 2012, foram publicados, pela primeira vez na íntegra, em Portugal todos os contos recolhidos pelos irmãos Grimm e ainda uma coleção sobre contos maravilhosos europeus, incluindo «Capuchinho Vermelho», fruto de mais de trinta anos de investigação do antropólogo português Francisco Vaz da Silva.