Ultimamente, surgiram nos meios sociais alguns vídeos de polícias a fazer o seu trabalho, com imagens constrangedoras ou violentas. Nos Estados Unidos, a polícia decidiu fazer algo para que se pudesse defender e, hoje em dia, algumas esquadras nos EUA já gravam o trabalho dos seus polícias com pequenas câmaras que se montam no corpo.

Nas últimas semanas, pelo menos uma dúzia de cidades, disseram ao jornal «The New York Times» que estão a equipar os polícias com câmaras de vídeo.

O Departamento da Polícia de Nova Iorque estudou a forma como a polícia de Los Angeles está a incorporar as câmaras e a planear o seu próprio projeto piloto.

Uma lei assinada este mês, em Nova Jersey, exige que todos os departamentos de polícia municipal comprem câmaras que se montem no carro ou no corpo. Criou ainda uma nova multa sobre motoristas bêbados para ajudar a pagar essas câmaras.

A mudança foi repentina e vários interesses, normalmente opostos, concordaram no apoio à ideia. Como por exemplo, os advogados da cidade, conscientes de que as câmaras poderiam ajudar nos processos judiciais; e grupos de direitos, incluindo o da União das Liberdades Civis Americanas, que disseram que a responsabilização da polícia será reforçada pela documentação pública.

Também o Departamento de Justiça concluiu que a tecnologia tem o potencial de «promover a legitimidade e o sentido de justiça processual» nas interações entre o público e a aplicação da lei.

Mas a disseminação de câmaras nos órgãos da polícia está a levantar preocupações sobre o que fica registado, quando e como o vídeo pode ser libertado para o público. Existe, nomeadamente, a pergunta sobre a forma de como os milhões de horas de vídeo serão arquivados e protegidos contra fugas e hackers. O armazenamento é outra questão, pois as leis estaduais variam amplamente sobre quanto tempo os registos criminais devem ser armazenados.

O uso destas câmaras colocou ainda a polícia numa situação complexa e incerta perante a lei de registos públicos. É que existe doutrina jurídica que afirma que se as provas forem recolhidas indevidamente não podem ser utilizadas num processo.

Além disso, alguns sindicatos de polícias temem que os vídeos se tornem ferramentas utilizados pelos superiores, como forma de punir um funcionário, ou que conversas privadas entre os oficiais possam vir a público.