A mãe da pequena Ella-Louise, em estado vegetativo irreversível, lutou até ao fim pela eutanásia da filha. O emocionante testemunho desta mãe surge em torno da possível aprovação da eutanásia das crianças na Bélgica. Uma luta pela morte dos próprios filhos que, esta quarta-feira, conheceu um importante avanço com o voto a favor de dois comités do senado belga.

A bebé de 10 meses morreu há dois anos, após uma longa luta contra a doença de Krabbe, uma mutação genética que danifica o sistema nervoso.



Nos últimos dias de vida da filha, enquanto a bebé estava nos cuidados paliativos num hospital de Schilde, na Bélgica, Linda Van Roys contou a CNN que podia sentir todo o sofrimento no rosto da sua bebé.

Linda revelou que o estado irreversível da menina já tinha sido diagnosticado há muito, mas os médicos puseram sempre de lado a hipótese da eutanásia. O problema é que a lei belga exige uma declaração do doente em como quer por fim ao seu sofrimento, o que neste caso era impossível, tendo em conta a idade da paciente.

O caso de Ella-Louise foi tornado público após dois comités do senado belga terem votado favoravelmente (13 contra 4), na quarta-feira, a aplicação da lei da eutanásia, aprovada em 2002, a crianças.

Antes de se tornar lei, a proposta tem ainda de ser aprovada pela totalidade do Senado. Se isso acontecer, as crianças na Bélgica que sofram de dor física considerada insuportável ou que estejam em fases terminais de uma doença podem pedir, com o consentimento dos pais, a eutanásia.

O processo terá ainda de ser acompanhado por um psicólogo como forma de garantir que o menor perceba as consequências da sua decisão.

O debate sobre a eutanásia em menores de idade foi reaberto no início do mês de novembro, com a carta aberta de um grupo de pediatras que pedia a alteração da lei para permitir a morte clinicamente assistida aos menores.

Um dos médicos que integra o grupo de investigação sobre o tema, Kenneth Chambarae, da Universidade de Bruxelas, sublinha que a lei que está a ser debatida tem uma diferença fundamental em relação à legislação em vigor, que se aplica apenas a adultos: no caso dos menores, o pedido de eutanásia não pode ser feito com base na alegação de sofrimento psicológico.

De acordo com um inquérito publicado no jornal «La Libre Belgique», três quartos da população bélgica aprovam esta lei sobre a eutanásia, incluindo a de menores.