Aquilo que representava um mero exercício acabou de uma maneira imprevisível até mesmo para o próprio bombista. Um comandante de um campo de treinos terrorista no norte de Bagdade acionou involuntariamente os explosivos que trazia à cintura e matou praticamente toda a turma.

O incidente deu-se nesta segunda-feira quando decorria uma demonstração para um grupo de militares. Ao fazer-se explodir, o terrorista acabou por matar 21 outros membros ligados estado islâmico do Iraque e da Síria. Pelo menos outros 15 ficaram feridos e acabaram por ser detidos.

Apesar dos cidadãos iraquianos estarem habituados a ataques diários em mercados públicos, mesquitas, funerais e até em jogos de futebol infantis, os locais olham para este incidente de duas formas: controversa, mas engraçada.

Ainda na passada semana, um bombista atingiu uma loja de «fafales», uma espécie de salgadinhos originários do médio oriente, perto do Ministério dos Negócios Estrangeiros, matando várias pessoas. Este episódio provocou uma gargalhada em Raa Hashim, trabalhador numa loja de bebidas perto do local do ataque. «Isto é muito engraçado, mostra como estes cães e filhos de cães são estúpidos, mas mais a sério, estas situações dão-me pena, pois muitos inocentes acabam por morrer», disse Hashim.

«Este foi Deus a enviar uma mensagem para as pessoas más e criminosas no mundo, ordenando-lhes que parem em prol de um mundo de paz, é Deus mostrando justiça», continua Hashim.

O Iraque está a enfrentar uma das suas piores ondas de violência em mais de cinco anos. Cerca de nove mil pessoas morreram no ano passado e perto de mil apenas no mês passado.

Na segunda-feira, uma bomba rebentou em Mosul, no norte do Iraque, com o alvo a ser o presidente do parlamento, Osama al-Nujaifi, afirmou um responsável de segurança. Apesar da tentativa, o presidente saiu ileso mas seis dos seus guardas ficaram feridos.

Os campos de treinos dos terroristas foram montados nas áreas montanhosas de Diyala. O norte da Província de Nínive tornou-se uma porta de entrada para jihadistas que viajem do Iraque para a Síria. Mosul, a capital de Nínive, acabou por se tornar num centro financiamento importante para grupos militares. Segundo um oficial iraquiano o valor ronda os milhões de dólares por mês, gerados por extorsão e outras estratégias obscuras.

O mundo dos ataques terroristas gera muito dinheiro, fator que faz com que aumentarem as vagas de violência. Brett McGurk, funcionário do Departamento do Estado afirma que «O fenômeno suicida, é uma completa insanidade». Para além do dinheiro, os ativistas estão completamente convictos que o martírio é apenas um bilhete para o céu onde o esperam 72 virgens.