Uma estudante de direito da Universidade Católica de Santos, no litoral de São Paulo, sofreu queimaduras no rosto ao participar de uma praxe na manhã de segunda-feira. Sofia Borges de Oliveira, de 18 anos, participava num «ritual de iniciação» do curso quando um veterano lhe pintou parte da bochecha, que acabou queimada.

Sofia conta que tudo acontecia normalmente até que um dos alunos mais velhos a sujou com tinta. «Estavam a atirar ovos, farinha, e as coisas do costume. Depois puseram tinta no meu rosto e eu disse que estava a arder, mas um dos veteranos disse que era tinta de guache e não havia problema», afirmou a estudante.

A estudante revelou que com o passar do tempo, a dor foi diminuindo e resolveu não dizer mais nada. Quando chegou a casa, reparou, ao limpar-se, que tinha ficado queimada.

Apesar da situação, a rapariga acredita que os praxantes não tiveram maldade, mas acredita que houve negligência por terem usado produtos que podiam causar alergias ou queimaduras.

Para a caloira, «o veterano não estava mal-intencionado». «Foi pura ignorância de colocar no rosto dos outros produtos desconhecidos. O dia foi ótimo. Foi uma pena ter acabado dessa maneira».

Como a queimadura não diminuiu durante o dia, a estudante de Direito resolveu ir ao médico, que verificou que o rosto tinha ficado realmente queimado e que Sofia vai precisar de um tratamento de forma a não ficar com a cara marcada.

Através de um comunicado, a universidade informou que não permite praxes dentro das zonas relativas à mesma. Em relação a este incidente, a UniSantos já recebeu o aluno responsável, na manhã desta terça-feira, e deverá ainda falar com a aluna e a mãe desta na parte da tarde, de forma a apurar os fatos e aplicar as sanções necessárias.

Estas incidências continuam a repetir-se, com estas práticas a lesar cada vez mais alunos quando o seu dever deveria ser facilitar a integração dos novos elementos nas instituições de ensino superior em que ingressão.

Por Portugal, o tema das praxes no Meco continua a criar grande expectativa. Apesar das polémicas envoltas, a generalidade dos alunos mostram-se descontentes e desconfortáveis com a ideia de lhes ser proibido o seu «direito».

De forma a combater estes e outros incidentes, as universidades começam a apertar na regulação das praxes. Já são seis o número de instituições que proibiram ou as estão a condicionar.

Pelo contrário, a Lusófona admite que apesar do sucedido não vai proibir as praxes. Para o administrador da Lusófona, Manuel de Almeida Damásio, não há motivos para relacionar o sucedido a uma praxe, porque «houve quem os visse» na tarde de 15 de dezembro na zona do Meco a «fazer brincadeiras» e a «divertir-se». Falou ainda que «todos os dias morrem pessoas nas estradas e não vamos proibir alguém de andar na estrada».

As instituições responsáveis deverão conversar e encontrar uma forma de equilibrar as praxes para que os novos alunos se possam divertir, reduzindo o risco de problemas.