A violência no Iraque está a aumentar e poderá provocar uma guerra civil, alertou esta quarta-feira o diretor de Direitos Humanos Missão de Assistência da ONU no Iraque (UNAMI).

«O Iraque encontra-se numa encruzilhada. Não diria que estamos já em guerra civil, mas os números não são bons», afirmou Francesco Motta, em declarações à agência noticiosa francesa AFP, escreve a Lusa.

«O impasse político do país, a falta de visão nacional de vários políticos iraquianos, e as influências externas da região, a Síria e outros jogadores, tudo tem um efeito desestabilizador», apontou.

Uma onda de violentos ataques, que têm fustigado o Iraque desde o início do mês, já provocou 190 mortos e mais de 400 feridos, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

«O agravar das divisões sectárias no país manifesta-se de uma forma ainda mais perigosa do que em 2007», altura em que os ataques tornaram-se «tão frequentes e banais que até o governo deixou de contabilizar» as vitimas mortais, disse Francesco Motta.

O responsável lembrou que «quanto mais pessoas morrerem [no Iraque] maior é a hipótese (...) de a situação ficar fora de controlo».

«Ainda não se atingiu um ponto sem retorno, ainda não estamos em guerra civil (¿) Mas se a espiral de violência aumentar, se os civis continuarem a ser alvos, se [os ataques] continuarem a vitimar mulheres, homens e crianças inocentes, talvez se chegue a um ponto em que a situação será irreparável, e ali ninguém vai querer recuar da beira do abismo», alertou.