O Presidente dos Estados Unidos comprometeu-se este domingo, perante as tropas mobilizadas no Afeganistão, a anunciar «muito rapidamente» o número de soldados que permanecerão naquele território depois da retirada da missão da NATO, no final do ano.

Numa visita surpresa ao Afeganistão, o líder dos EUA disse que está a considerar várias opções face ao fim da missão da NATO, cujos últimos 51 mil efetivos, entre os quais 74 portugueses, vão retirar-se até final do ano.

«A guerra dos Estados Unidos no Afeganistão vai ter um fim responsável», garantiu, assegurando que Washington manterá o compromisso de apoiar o povo afegão.

As relações entre as autoridades de Washington e de Cabul enfrentam um momento de tensão, numa altura em que estão a negociar um acordo militar que assegure a manutenção no terreno de um número de soldados dos EUA, para treino e apoio às forças afegãs.

Na sua quarta visita ao país asiático, a primeira desde que foi reeleito, Obama reuniu-se com o comandante das tropas no Afeganistão, o general Joseph Dunford, e com o embaixador americano em Cabul, James Cunningham, na base de Bagram, gigantesco complexo militar sob controlo americano situado a cerca de 40 quilómetros a norte de Cabul.

«Estamos conscientes dos sacrifícios que muitos de vós fizeram no Afeganistão e quero garantir-vos que nos lembraremos desses sacrifícios que vocês e as vossas famílias fizeram», asseguro-lhes.

A presença das tropas dos EUA no Afeganistão salda-se por mais de dois mil mortos.

Após a reunião com os oficiais que lideram a missão da NATO no Afeganistão, Obama cumprimentou, quase um a um, os três mil soldados que o esperavam num auditório, de quem disse estar «orgulhoso».

O Presidente dos EUA disse-lhes ainda que, «após mais de uma década de guerra», chegou «um momento crucial», frisando que, «para muitos» deles, «esta será a última estadia no Afeganistão».

Obama assinalou também os progressos no Afeganistão, com a criação e o treino das forças armadas afegãs, que tomaram o controlo da segurança no país no ano passado, e a realização de eleições.

«Vou ser franco, teria sido melhor se não tivéssemos tido de esperar quase um ano», disse Obama, referindo-se às presidenciais realizadas há umas semanas mas cujos resultados finais ainda estão pendentes de uma segunda volta.