Um ladrão de arte, que admitiu hoje ter roubado obras de Gauguin, Monet e Picasso, ameaçou processar o museu holandês de onde levou os quadros por ter tornado o roubo muito fácil.

Radu Dogaru está entre seis romenos em julgamento na Holanda pelo roubo espetacular de três minutos, no ano passado, do museu Kunsthal, em Roterdão, que surpreendeu o mundo da arte.

Apesar de estimados em 18 milhões de euros, nenhum dos quadros que pertenciam à Fundação Triton estava equipado com alarme, disseram as autoridades holandesas.

«Não posso imaginar que um museu exiba trabalhos de tal valor com tão pouca segurança», afirmou Dogaru ao tribunal.

«Podemos claramente falar de negligência com sérias consequências», declarou aos jornalistas o advogado de defesa.

«Se não recebermos respostas sobre de quem é a culpa» pela falha do sistema de segurança no museu, «pensamos contratar advogados holandeses para iniciar um processo legal na Holanda ou na Roménia», acrescentou.

O advogado explicou que, se for considerado culpado de negligência, o Kunsthal «terá de partilhar o valor da indemnização» com seu cliente, que enfrenta milhões em créditos de seguradoras.

Entre os quadros levados em sacos de estopa na madrugada de 16 de outubro de 2012, estavam «Cabeça d¿Arlequim», de Pablo Picasso, «Ponte de Waterloo», de Claude Monet, e «Mulher Diante de uma Janela Aberta»,de Paul Gauguin.

Temeu-se que as pinturas desaparecidas tivessem sido destruídas, após a mãe de Dogaru ter dito que as queimou no fogão na tranquila aldeia romena de Carcaliu, numa tentativa de destruir provas contra o filho.

Olga Dogaru alterou mais tarde o seu testemunho, mas especialistas do Museu Nacional de História da Roménia disseram que cinzas expelidas pelo seu fogão incluíam vestígios de três pinturas a óleo e de pregos de estruturas de quadros usadas antes do final do século XIX.

«Os quadros certamente não foram destruídos. Não sei onde estão, mas acredito que foram vendidos», disse Radu Dogaru ao juiz, no seu primeiro testemunho público sobre a matéria.

Questionado sobre os vestígios encontrados no fogão da mãe, declarou que a sua família possuía imagens do século XIX.

No mês passado, o diretor do Museu Nacional de História da Roménia disse que os pregos poderiam não ser das imagens.

O advogado de Dogaru fez nos últimos meses declarações contraditórias sobre o destino das obras de arte, dizendo que o seu cliente poderia devolver cinco delas, sem demonstrar provas. Mais tarde, afirmou que poderiam estar na Moldávia.

Está pendente uma investigação separada sobre a possível destruição das obras.

Dogaru disse que, depois de ser detido, a mãe deu os quadros «a um homem ucraniano chamado Vladimir Vladimirenko, residente em Londres».

A mãe declinou comentar em tribunal.

Dogaru enfrenta uma pena máxima de 20 anos de prisão. A próxima audição será em 19 de novembro.

Dogaru e os seus alegados cúmplices provêm todos da mesma região oriental da Roménia, mas vivem na Holanda, e estavam sob suspeita por roubo, enquanto as suas namoradas eram alegadamente trabalhadoras do sexo.